quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A TRISTE E TRÁGICA MORTE DA PRINCESA DIANA

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Há 20 anos, no dia 31 de agosto de 1997, um terrível acidente chocou o mundo inteiro. Morria Lady Diana, Princesa de Gales. Ela foi a princesa que conquistou corações, a mulher que mais apareceu em capas de revista das décadas de 80 e 90. Sua vida era a de todos, e sua imagem representava a doçura e o encanto de uma princesa sem trono, amada por seu povo. Diana Spencer, foi muito mais do que a esposa do herdeiro do trono da Inglaterra. O acidente aconteceu no Túnel de l´Alma, em Paris. A princesa e seu namorado, Dodi Al Fayed, viajavam em um Mercedes Benz com o motorista e um guarda-costas. Sua morte comoveu a opinião pública, Seu funeral, em setembro de 1997, foi assistido globalmente por cerca de 2,5 bilhões de pessoas.
No Reino Unido e ao redor do mundo, admiradores de Lady Di devem organizar cerimônias em homenagem à "princesa do povo", uma das mais populares da história recente. Desde o começo da semana, flores e cartões se acumulam em frente ao palácio de Kensington, onde Diana vivia em Londres. O palácio de Kensington, no entanto, não confirmou nenhum ato oficial previsto para marcar os 20 anos da morte, segundo a agência AFP.
Diana Frances Spencer nasceu em Sandringham, Inglaterra em 1º de julho de 1961. Lady Di foi a primeira esposa de Charles, Príncipe de Gales, filho mais velho e herdeiro aparente da Rainha Elizabeth II. Seus dois filhos, os príncipes William e Harry, são respectivamente o segundo e o terceiro na linha de sucessão aos tronos do Reino Unido, do Canadá, da Austrália, da Nova Zelândia e de outros doze países da Commonwealth.
Herdeiros da princesa, os príncipes William e Harry visitaram na quarta-feira (30) um jardim criado em sua homenagem no palácio de Kensington e participaram de um encontro com representantes de organizações beneficentes que ela apoiava.
O acidente, segundo investigações da polícia britânica, foi causado por excesso de velocidade e pela embriaguez do motorista, Henri Paul. O único sobrevivente da tragédia foi o guarda-costas da princesa Trevor Rees-Jones, que estava no banco do carona. Paul e Dodi morreram na hora. Diana e seu guarda-costas foram socorridos e levados para um hospital. Ela morreu poucas horas após dar entrada no Hospital Pitie-Salpetriere, em decorrência de uma hemorragia interna, severos ferimentos no tórax e na cabeça, e lesões pulmonares. Um dos bombeiros deslocados ao acidente revelou as últimas palavras da princesa. O sargento Xavier Gourmelon, que liderou a equipe de resgate naquela noite, em Paris, na França, retirou a princesa com vida do veículo e a ouviu perguntar "Meu Deus, o que aconteceu?" antes de ser levada à ambulância. Gourmelon confidenciou ao "The Sun" que se surpreendeu com a morte de Diana, confirmada horas depois, no hospital Pitie-Salpetriere, em Paris. Durante o resgate, ele tinha a certeza de que a princesa sobreviveria à colisão. "Eu podia ver um pequeno ferimento em seu ombro direito. Fora isso, não havia nada significativo. Não havia sangue espalhado pelo corpo dela. Para ser sincero, eu pensei que ela sobreviveria. Até onde sei, ela estava viva na ambulância, e eu esperava que ela sobrevivesse", detalhou sobre a vítima, então com 36 anos.
Diana tornou-se uma das mulheres mais famosas do mundo: um ícone da moda, um ideal de beleza e elegância feminina, admirada por seu trabalho de caridade, em especial por seu envolvimento no combate à AIDS e na campanha internacional contra as minas terrestres. O casamento com Charles terminou em 1996, após vários escândalos tanto por parte do príncipe como da princesa.
Passados vinte anos da sua morte, a "Princesa do Povo" (termo cunhado pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair) continua sendo uma das celebridades mais constantes na imprensa, servindo de tema para milhares de livros, jornais e revistas. O seu nome é citado pelo menos 12 mil vezes por ano na imprensa britânica.
Para o multimilionário Mohamed Al Fayed, seu filho e a companheira foram vítimas de um complô planejado pelos serviços secretos britânicos - a mando de um membro "importante" da família real - para impedir um iminente casamento entre os dois e o fato de Diana estar grávida. O carro em que Dodi e Diana trafegavam bateu ao entrar em alta velocidade em um túnel de Paris na madrugada de 31 de agosto de 1997. Testes feitos com o corpo do motorista indicaram que ele estava embriagado. Uma investigação conduzida pelo então chefe da Scotland Yard, Lord Stevens concluiu em dezembro de 2006 que a morte de Diana, Dodi e do motorista Henri Paul foi um "trágico acidente". Apesar das conclusões da investigação, Mohamed rejeitou todos os argumentos de Stevens. Segundo o milionário, além de noivos, Dodi e Diana iriam ter um filho muito em breve. No entanto, segundo Stevens, nenhum dos vários amigos e familiares de Diana ouvidos pelos investigadores sabiam dos supostos planos do casal. Em um trecho do inquérito, Lady Annabel Goldsmith, amiga íntima de Diana, relata uma conversa que teve dois dias antes do acidente: "Eu perguntei: 'Você não está fazendo nenhuma besteira, como casar-se, está?' Ela respondeu: 'Imagina. Eu estou sendo mimada, e tendo um momento maravilhoso, Annabel. Eu preciso de um casamento tanto quanto de uma espinha no meu rosto”.
Um homem que correu em direção ao veículo acidentado de Diana no túnel da ponte d'Alma, em Paris, disse que ouviu a princesa dizer "Oh, meu Deus". Damian Dalby viajava com seu irmão e alguns amigos a Paris, quando se depararam com o terrível acidente no túnel da ponte d'Alma. "Saía fumaça do veículo. Queria parar o motor, mas não consegui", disse a testemunha, acrescentando que a porta direita traseira do veículo estava aberta, e que viu uma mulher sentada na parte de trás, mas que não se deu conta de imediato que era a princesa. Um dos amigos que estavam com a testemunha, Sebastien Masseron, ouviu um dos fotógrafos gritar "volta, volta, está viva" para um colega que estava de moto no final do túnel. Outra mulher que estava no mesmo carro que Masseron, Audrey Lemaigre, também ouviu um dos fotógrafos dizer: "Está viva, está viva". "Ela disse que iria morrer ou ser morta numa batida de carro e foi isso o que aconteceu a ela e a meu filho", testemunhou Al Fayed sobre a morte do casal. Al Fayed usou seu depoimento como a melhor oportunidade até hoje para dar publicidade à sua teoria de que Diana e seu namorado Dodi foram mortos numa conspiração envolvendo o serviço secreto britânico e o príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II. Investigações promovidas pelas polícias francesa e britânica concluíram que o desastre de 31 de agosto de 1997 foi um acidente, e que o motorista Henri Paul, que também morreu, estava bêbado e em alta velocidade. "A princesa Diana me disse que tinha prova de que sua vida estava em perigo e que ela a mantinha numa caixa de madeira", afirmou Al Fayed. Segundo ele, Diana disse que se algo ocorresse a ela, "tenho de garantir que o conteúdo dessa caixa seja tornado público". A tal caixa conteria cartas do Príncipe Philip à Diana. Todas desapareceram. Al Fayed reafirmou sua avaliação de que o príncipe Philip é um racista e nazista que não podia aceitar que a princesa Diana, mãe do futuro rei britânico, se cassasse com um árabe e muçulmano. Disse ainda que o príncipe Philip deveria "voltar para a Alemanha" - numa referência aos ancestrais germânicos dele. Al Fayed denunciou que o príncipe Charles, ex-marido de Diana, fez parte do complô, a fim de abrir caminho para se casar com Camila Parker Bowles. O bilionário repetiu que que o embaixador britânico em Paris ordenou que o corpo dela fosse embalsamado para acobertar a gravidez e que a equipe médica francesa que a atendeu fazia parte do complô. A história de Lady Di é a história da mulher moderna, vítima da falta de amor. Terna, romântica e generosa. Apesar de ser assediada constantemente pela mídia, Diana também soube se aproveitar dela em nome de várias causas. Suas obras beneficentes e sua excepcional capacidade de ajudar os desfavorecidos tiveram grande influência no Reino Unido. E de fato, suas campanhas contra as minas e a favor das vítimas da AIDS foram as que tiveram a maior repercussão. Ela era adorada pelas estrelas do pop e sempre será lembrada como mãe exemplar por seus filhos: William e Harry. Sem dúvida, ela foi e sempre será a princesa do povo britânico. Seus restos descansam em uma ilha no meio de um lago artificial situado na residência de Althorp, uma mansão do século XVI que pertence à família Spencer há mais de quinhentos anos.

PAUL MCCARTNEY - COSMICALLY CONSCIOUS

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Paul McCartney divulgou nessa quarta-feira (30) em seu canal Vevo, um vídeo (já velho) da música “Cosmically Conscious”, retirado do DVD ao vivo “Change Begins Within”. A canção faz parte do álbum Off the Ground, de 1993. Esse vídeo, inclusive, já tinha aparecido aqui em 26 de dezembro de 2014 na postagem sobre Cosmically Conscious.
As imagens foram registradas durante o show beneficente realizado no dia 04 de abril de 2009 no Radio City Music Hall, em Nova York. O evento foi organizado pela Fundação David Lynch para arrecadar fundos para o ensino da Meditação Transcendental para 1 milhão de jovens em situação de risco. Além de Paul, participaram da apresentação os artistas Ringo Starr, Sheryl Crow, Donovan, Eddie Vedder, Moby, Ben Harper e Betty LaVette. O DVD será lançado amanhã - 01 de setembro.

"Cosmically Concious" foi composta em Rishikesh, na Índia e esperou 25 anos para ser lançada, após ser composta no Ashram do Maharish, quando McCartney e os Beatles estudavam Meditação Transcendental em fevereiro de 1968. A canção, cheia de efeitos psicodélicos, foi incluída no álbum Off The Ground, em uma versão abreviada, listada como "... and remember to be Cosmically Concious". Segundos da canção Down To The River surgem inesperadamente no final desta faixa. Aparece completa no álbum "Off The Ground - The Complete Works" que já esteve aqui, inclusive para download.

ALVARO ORTEGA - MAGNETO AND TITANIUM MAN - MUITO BOM!

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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

JOHN LENNON - ONE TO ONE CONCERT - 1972

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Há 45 anos, no dia 30 de agosto de 1972, John Lennon e Yoko Ono realizaram o “One To One Concert” no Madison Square Garden em Nova York para levantar fundos para Willowbrook, uma instituição para crianças deficientes. Foram dois concertos, um à tarde e outro à noite. Contou com as participações de Stevie Wonder e Roberta Flack. Foi o último show completo de John Lennon e sua última apresentação ao vivo ao lado de Yoko Ono. O texto que a gente confere agora é o principal do capítulo 6 - 'Da Próxima Vez A gente Acerta' do sensacional livro de James A. Mitchell - "John Lennon Em Nova York: Os Anos De Revolução".
Para John Lennon, o show beneficente One-to-One era muito mais do que apenas uma apresentação única; o show de 30 de agosto de 1972 era para ser o primeiro de muitos. “Eu estava pronto para sair em turnê por pura diversão” disse Lennon à Rolling Stone sobre suas expectativas. “Eu não queria cair na estrada por dinheiro. Minha vontade era sair por aí tocando, simplesmente. Qualquer pretexto — caridade ou o que fosse — bas­taria para me convencer.”
De volta a Nova York, John e Yoko passaram a segunda quin­zena de agosto ensaiando com a Elephant’s Memory. Reza a lenda que, devido às queixas dos vizinhos contra as longas, intensas e ruidosas sessões num espaço alugado na Rua 10, por eles batizado Butterfly Studios, os ensaios foram transferidos para a Fillmore East, uma casa de espetáculos na 2a Avenida.
O fotógrafo Bob Gruen lembra que Lennon abraçou a intensa programação de ensaios, deixando que sua paixão pela música superasse sua ansiedade quanto ao desempenho. “O espaço estava totalmente impregnado do espírito do rock and roll’’ disse Gruen.7 O denominador comum da música servia para descontrair e unir o grupo, um vínculo que se mantinha durante os jantares no Home, um restaurante na Rua 91 que Lennon passara a curtir, e, numa notável ocasião, numa casa de Chinatown conhecida por oferecer um bar completo. Gruen disse que essa longa noite ficou ainda mais longa quando Lennon — que sempre pagava os jantares do grupo — se deu conta de que não tinha dinheiro. Como ninguém mais tinha, serviram-se rodadas adicionais de bebidas enquanto espera­vam um dos assistentes de John e Yoko sair da cama para trazê-lo. A seleção final seria feita entre dezenas de músicas preparadas pelo grupo, com arranjos repassados um sem-número de vezes. Lennon cantava falando, ou sussurrando, para não prejudicar a voz antes do show. Lennon confiava na música, diz Adam Ippolito, pelo menos no que dizia respeito à banda. O som fora reforçado com acréscimos na seção de ritmo: o baterista Jim Keltner, colaborador frequente nos dois primeiros álbuns pós-Beatles de Lennon, e John Ward, ex-baixista da Elephants Memory. “Lennon se sentia muito bem nesse momento’’ conta Ippolito. “O grupo estava afinado. E ele estava pronto.” Os Elefantes precisavam estar preparados. O show representava um salto de qualidade em relação a tudo o que a banda já fizera em sua carreira: por mais entusiasmado que fosse o público do Max’s Kansas City, tocar em casas noturnas era muito diferente de se apresentar em uma arena lotada de gente ávida por aplaudir uma lenda da música. Os Elefantes se recordam de que Lennon e a Apple fizeram questão de usar um equipamento adequado a gran­des arenas, como o Madison Square Garden. Lennon era tão pró­digo com a sua música quanto com os jornais underground e os ideais de esquerda, lembra Tex Gabriel.

“Os Lennon tinham um cara que era o responsável pela mala preta’’ diz Gabriel. “Dentro da mala havia milhares de dólares em dinheiro vivo; maços de dinheiro, como se fossem roubados de um banco ou algo assim. John o mandou pegar uma bolada para com­prar amplificadores Marshall e o que mais fosse preciso. Alugar, não. Comprar.” Os Elefantes calcularam que Lennon deve ter gasto uns 100 mil dólares com os equipamentos. “Hoje nem parece tanto”, diz Van Scyoc, “mas 100 mil dóla­res em equipamentos era um bocado de dinheiro naquela épo­ca.” Ele lembra que ficou impressionado com a qualidade do material, um claro indicador de que Lennon tinha planos muito maiores do que o show beneficente. Era o momento pelo qual os Elefantes vinham esperando: a primeira turnê de Lennon como artista solo. “Quando aquilo veio à tona, nós pensamos: ‘Meu Deus, traba­lho!’ e caímos dentro”, diz Van Scyoc. “Como Elephant’s Memory nós não tocávamos, nem no melhor dos nossos sonhos, em lugares como o Garden. Tocamos uma vez para 3 mil formandos, mas isso foi o auge, o máximo a que conseguimos chegar.” Mais do que um simples show, o “Concerto para Libertar as Crianças de Willowbrook” — assim batizado pela revista Billboard — foi o clímax do “One-to-One Day” em Nova York — palavras do prefeito John Lindsay. A participação de Lennon não se limitou aos ensaios e à apresentação: ele e Yoko reuniram 15 mil voluntários e pacientes de Willowbrook para um piquenique antes do show no Sheep Meadow, com jogos, música, passeios de balão e encon­tros com um ex-Beatle itinerante. Deliberadamente, fez-se pouco alarde do piquenique. Lá, Len­non encontrou o equilíbrio que vinha buscando: usou sua fama para promover a causa sendo apenas um a mais na multidão, e não o líder, o foco de todos os holofotes — algo que seria inevitável quando subissem ao palco.
"BEM-VINDOS AO ENSAIO”, assim Lennon saudou as cerca de 15 mil pessoas que foram ao Madison Square Garden naquela tarde para o primeiro dos dois shows. No palco substancialmente nu mal cabiam os músicos e os amplificadores. A luz inclemente dos spots destacava os óculos de Lennon, de aros metálicos redondos e lentes azuis. Ele usava uma roupa típica do Village — camiseta sob uma jaqueta verde-oliva do Exército dos Estados Unidos com divisas de sargento, um sím­bolo da Segunda Divisão de Infantaria e o nome Reinhardt. Mas, apesar do aspecto confiante, os Elefantes sabiam que Lennon es­tava um bocado nervoso. Havia muita coisa em jogo: provar o seu valor com um material não muito bem-recebido pela crítica e — algo com que todos os ex-Beatles tiveram de lidar - atender, ou não, as expectativas do público sobre as músicas que iria tocar. Todos tinham suas expectativas, os Elefantes inclusive, como re­corda Gary Van Scyoc: “Nós queríamos tocar um monte de músi­cas dos Beatles” diz. “Mas Lennon só topou fazer ‘Come Together’. Ensaiamos umas dez músicas, mas essa era a quente; e foi nessa que mandamos ver.
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A banda teve a oportunidade de tocar na abertura do concerto — ao lado de Sha Na Na, Roberta Flack, Melanie e Stevie Wonder, que se apresentaram de graça, em benefício da causa. Mas o foco das atenções era claro, assim como a esperança de um pouco de nostalgia musical. “Nós só vamos voltar ao passado uma vez” enfatizou Lennon antes de atacar “Come Together”. Lennon parece haver tentado se precaver quando brincou com a multidão: “Vocês provavelmente se lembram dessa melhor do que eu (...) é sobre um old flattop.” As palavras que cantou a partir do verso “Here come old flattop” — uma música toda feita de fragmentos imagéticos - não batiam com as do LP Abbey Road, tão conhecido pelos fãs. Além de tropeçar aqui e ali, como em “over you”, em vez de “over me”, ele parecia não saber se o cabelo “ia até” ou “ficava abaixo” dos joelhos. Cada tropeço era uma careta. “Eu acertei a letra quase toda”, disse ao término da canção. Balançando a cabeça, sentou-se ao piano e arrematou: “Tenho que parar de escrever essas letras doidas, cara; eu nem sei o que estou dizendo. Estou ficando velho.”
Os Elefantes seguraram bem aquela onda, fazendo das tripas co­ração para não decepcionar Lennon. Adam Ippolito diz que o show, que durou mais de uma hora, foi uma pressão muito diferente e bem maior do que tocar uma ou duas canções na TV. “Lennon estava inseguro e ficou chateado com alguns erros” lembra Ippolito. “Mas a maioria nem percebeu.” O repertório, que continha uma importante seleção de mú­sicas de Some Time in New York City, permitiu à banda demonstrar que não estava ali para substituir Paul, George e Ringo, mas, sim, ocupar seu lugar na nova vida musical de Lennon. Foram cinco canções de Some Time: “Woman Is the Nigger of the World”, “Sisters O Sisters”, “Born in a Prison”, “We’re All Water” e, é claro, “New York City”, que incendiou o público do Madison Square Garden. Os dois primeiros álbuns pós-Beatles de Lennon foram bem representados: “Imagine” foi “um dos carros-chefes do programa”, lembra Van Scyoc. De seu repertório solo, Lennon tocou algumas canções famosas: “Instant Karma” a escaldante “Cold Turkey” e a cantante “Give Peace a Chance”, acompanhada pelo público com os pandeiros recebidos na entrada. A menos conhecida, “Well, Well, Well”, foi jocosamente introduzida ao público como “uma canção de um dos discos que gravei desde a minha saída dos Rolling Stones”.
Nervosismo à parte, Lennon bem que se divertiu. Seu melhor sorriso nessa noite foi quando estraçalharam “Hound Dog” de Elvis Presley: um rock da velha guarda que fez Lennon e Gabriel dança­rem com suas guitarras e Stan Bronstein sair pelo palco com uma moça a requebrar o corpanzil. Os Beatles eram conhecidos por começar suas sessões de gravação brincando com as músicas que tocavam nos dias do Cavern, um hábito que Lennon manteve com os Elefantes. “Nos ensaios, costumávamos tocar essas músicas para esquen­tar” conta Van Scyoc. “Não era uma coisa consciente, era um jeito de entrarmos em sintonia. Pegávamos canções antigas de Chuck Berry, aquela coisa da década de 1950. Sempre que John queria relaxar, era para lá que ia.”
O One-to-One teve momentos de puro Lennon — a essência de sua vida artística. Mesmo num show destinado a uma causa hu­manitária, Lennon conseguiu criar uma conexão pessoal de um modo que poucos músicos seriam capazes de fazer. Ele continuava sendo um cantor-compositor essencialmente pessoal, capaz de criar um vínculo íntimo com seu público. Quantos seriam capazes de escrever uma canção como “Mother”? Quantos poderiam cantá-la de modo tão sincero? Um único spot, acordes simples de piano e uma voz ferida que revelava a sua dor mais profunda a milhares de amigos. “Ele botou aquilo tudo pra fora”, diz Gabriel. Aquilo que o público viu deixou arrepiados os guitarristas, que estavam a 3 metros. “Era Lennon nu e cru, totalmente real; não tinha fingimento.” Quaisquer falhas e imperfeições cometidas naquela tarde e noi­te eram suas, dissera com franqueza. Críticas à parte, Lennon deu toda a impressão de que queria voltar lá e fazer melhor. “Da próxima vez a gente acerta” falou, perto do fim do espetá­culo, numa breve menção a falhas ocasionais provavelmente nem percebidas pelo público. Mas não houve próxima vez. John Lennon nunca mais deu um show completo; seu nome nunca mais brilhou nos letreiros das grandes arenas do país e do mundo; uma ou outra breve apresenta­ção de uma ou duas músicas ao longo dos dois anos seguintes e só. Os shows de Lennon no Madison Square Garden em 1972 ficaram como o ensaio-geral de uma turnê inacabada, um legado de can­ções jamais ouvidas.
Sob certo aspecto, os concertos One-to-One foram um abso­luto sucesso. A atenção pública e a conscientização suscitadas pelo trabalho de Geraldo Rivera geraram uma avalanche de benefícios. A quan­tidade de ajuda recebida, ao longo dos anos, pelos pacientes e suas famílias, foi incalculável. Preocupado com as recentes acusações de desvio de recursos gerados em shows beneficentes, como aconteceu com Allen Klein no Concerto para Bangladesh de George Harri­son, Lennon declarou durante o espetáculo esperar que o dinheiro arrecadado chegasse aos seus destinatários. E dessa vez ele chegou. Os fundos levantados foram canaliza­dos para três instituições beneficentes de Nova York, que os desti­naram à construção de moradias para os pacientes de Willowbrook, entre outros com necessidades similares. A ABC pagou, segundo foi informado, 300 mil dólares pelos direitos de filmagem e inicia­ram-se negociações para a produção de um álbum. As receitas de rádio e teledifusão e da venda de discos somariam mais de 1,5 milhão de dólares no decorrer do tempo. A contribuição de 60 mil dólares à causa feita por Lennon na compra de ingressos para pa­cientes e cuidadores não foi registrada nos relatórios do FBI; eles preferiam especular sobre as contribuições de Lennon a beneficiá­rios duvidosos. A receptividade dos fãs e da crítica foi diversa. O astro principal recebeu os elogios de costume, mas Lennon se aborreceu uma vez mais com a ânsia com que alguns se empenhavam em ridicularizar Yoko Ono, premiada aos olhos de seus detratores com um excesso de vocais solos.
“Todo mundo adorou o grupo” lembra Gary Van Scyoc. “Mas a presença dela era muito forte e isso incomodava um pouco as pessoas.” Mas nem todos os críticos eram anti-Yoko. Um de seus defen­sores era Toby Mamis, da revista Soul Sounds.9: “Muita gente não curte a música de Yoko Ono” escreveu Ma­mis. “Mas eu penso que ela está buscando novos rumos para o rock e que nós devemos ir junto para ver o que ela descobre. Tem muito avestruz por aí que enfia a cabeça na terra e faz de conta que tudo será sempre como está agora. Isso não é verdade. Alguém tem que descobrir para onde vamos e Yoko, dentre outros, está procurando.” Mamis lembrou aos céticos que se tratava da primeira grande produção própria de Lennon e que a Elephants Memory — “uma banda de hard rock do cacete” — era o primeiro grupo estável de músicos com que Lennon trabalhara desde os Beatles, com o qual ele gravou, ensaiou, “planejou e viveu a expectativa de um show ao vivo”.
A conclusão da Rolling Stone era ambígua: “O desempenho [de Lennon] foi uma prova daquilo que todo mundo sempre soube: que ele é um compositor fantástico e um cantor poderoso, inteli­gente e expressivo.” Lennon “parecia estar se divertindo muito”, ao conseguir a proeza de “dar vida a ‘Woman Is the Nigger of the World’, uma música horrível, afrontosa, cuja correção política não compensa [a má qualidade da letra]’! Anos depois, em 1986, David Fricke, da Rolling Stone, fez um retrospecto do show por ocasião do lançamento de um video do concerto. Separando o trigo do joio, Fricke aplaudiu o “comovente entusiasmo do canto de Lennon” e “o surpreendente fôlego do pro­grama’! Elogiou a Elephant’s Memory — “uma banda de esquerda de Nova York” — por seu sólido trabalho. O concerto do Madison Square Garden seria lembrado por sua raridade e por seu conteúdo. “Lennon clássico” qualificou Fricke. “Ele está todo aqui: seu humor, sua dor, sua ira e sua fé inabalável no poder do rock and roll de mudar o mundo.”
Para encerrar com chave de ouro, a gente fica agora com dois grandes momentos do show - "Come Together" e "Mother" - e por último a apresentação completa de John Lennon e os Elefantes. Aquele abraço e VIVA JOHN LENNON - SEMPRE!

PAUL McCARTNEY & WINGS - THE MESS

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"The Mess" foi gravada durante as sessões de "Red Rose Speedway" mas acabou ficando de fora do álbum. McCartney escreveu esta faixa especialmente para as primeiras apresentações do Wings em 1972. E foi a versão ao vivo, gravada na universidade de Haia, na Holanda, em 21/8/1972, que acabou sendo lado B do single "My Love". Existe uma gravação de estúdio que aparece em discos extra-oficiais. Mas não tem a força da versão ao vivo. Nessa época a banda era: McCartney, Henry McCullough, Denny Laine, Denny Seiwell e Linda McCartney.

THE BEATLES - YOU CAN'T DO THAT

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George estreou nesta música sua guitarra de 12 cordas, enquanto John tocou com a velha rick preta. Algum tempo depois ele confessou achar muito chato tocar guitarra base o tempo todo, e que nesta canção ele pode inventar formas diferentes de tocar, já que não havia guitarra base nem guitarrista nela. (?)*
"You Can't Do That" foi o lado B do compacto "Can't Buy Me Love", que arrasou nas vendas em todo o mundo. Nos EUA, ganhou um disco de ouro no dia do lançamento e vendeu 2 milhões de cópias. "You Can't Do That" também é a penúltima faixa do álbum “A Hard Days Night”. John Lennon compôs "You Can't Do That", imitando Wilson Picked, cantor negro americano de soul, que fazia muito sucesso no início dos anos 60. No começo dos 70, Pickett gravou “Hey Jude”. A letra é ameaçadora, cantada por um personagem violento. Ele fala que tem uma coisa pra dizer que pode machucar a garota. Se ele a pegar conversando de novo com outro certo rapaz, vai deixá-la estirada no chão. Diz que já avisou que ela não pode fazer isso. É a segunda vez que a flagra conversando com o rapaz, e pergunta se vai ter que dizer mais uma vez. Acha que é um pecado, mas vai deixá-la mal, largada no chão. Ele está preocupado com a opinião da rapaziada: diz que todo mundo está bobo, porque foi ele que ganhou o amor dela. Mas os outros ririam na cara dele, se vissem a garota conversando com o rapaz daquele jeito. Por isso ele pede que ela o ouça, e se quiser continuar a ser dele... ele não pode fazer nada com o que está sentindo, vai perder a cabeça.No dia 28 de março de 1995, foi lançado o documentário “The Making Of A Hard Day’s Night”. Pela primeira vez os Beatles aparecem tocando “You Can´t Do That” que ficou de fora do filme.

A PEDIDOS - JOHNNY RIVERS - SECRET AGENT MAN - DEMAIS!

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THE BEATLES - GET BACK - ABSURDAMENTE SENSACIONAL!!!

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terça-feira, 29 de agosto de 2017

THE BEATLES AT THE CANDLESTICK PARK - O ÚLTIMO SHOW

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29 de agosto de 1966. Às 21h27, John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison subiam ao palco para o último concerto para um público pagante dos Beatles. Foram 28 minutos de show para 22 mil pessoas no estádio Candlestick Park, em São Francisco, Califórnia. Pouco depois, Lennon fez o seguinte comentário sobre a beatlemania: “Em nossa última turnê, nos traziam cegos, deficientes físicos e crianças disformes em nossos quartos. E a mãe da criança dizia: ‘vamos, dê-lhe um beijo, possivelmente isto lhe trará a visão de volta’. Não somos cruéis. Porém, quando uma mãe gritava: ‘somente toque nele, que possivelmente ele volte a andar’, queríamos correr, chorar, esvaziar os nossos bolsos”.


Embora todas as filmagens e gravações daquele show, sejam péssimas, naquela noite, no Candlestick Park, tocaram incrivelmente bem, afinados, com arranjos perfeitos por curtos 28 minutos sabendo que aquele seria o último de sua trajetória. Era o fim da terceira (última) e conturbada turnê americana, com os Beatles cansados da histeria e das ameaças. Depois do episódio das Filipinas, da polêmica sobre Jesus e da queima de discos, não dava mais. Os Beatles haviam chegado no limite.
Quando os Beatles tocaram no Shea Stadium (Nova York) um no dia 15 de agosto de 1965, tocaram para um público absurdamente imenso para a época: 55.600 fãs enlouquecidos. Um ano depois, em 23 de agosto de 1966, quando pisaram no palco do Shea pela segunda vez, a platéia era bem menor: 44.000 fãs, ainda assim, mais enlouquecidos. Os jovens fãs americanos de 66 já não eram os mesmos de um ano antes, mas ainda queriam, e ainda precisavam deles. Esses números, ainda apesar de grandes, já demostravam um cansaço. Seis dias depois, os Beatles subiriam no palco armado no estádio Candlestick Park, para tocar, para uma público pagante, pela útilma vez. Haviam 22 mil pessoas lá.
Brian não estava presente neste concerto, que foi gravado por Tony Barrow, a pedido de PaulOs Beatles tocaram 11 músicas nessa ordem: Rock And Roll Music; She's A Woman; If I Needed Someone; Day Tripper; Baby's In Black; I Feel Fine; Yesterday; I Wanna Be Your Man; Nowhere Man; Paperback Writer e encerraram com Long Tall Sally. Quando terminou, eles retornaram para Beverly Hills e, durante o vôo, George virou-se para Tony Barrow e disse: “É isso aí. Não sou mais um Beatle”. No dia 30 voaram para Nova York e de lá para Londres. Para alívio das fãs, os Beatles desembarcaram sãos e salvos daquela que foi a última e a mais conturbada turnê de suas carreiras.
Ninguém sabia o que viria depois daquilo, mas estavam fartos de aviões, hotéis, e toda a loucura por onde passavam. De volta à Londres, cada Beatle foi cuidar de sua própria vida. Paul faria a trilha de The Family Way e John iria pra guerra no filme How I Won The War de Richard Lester. Estavam felizes por sentirem-se "livres" pela primeira vez em tantos anos. Só uma pessoa não estava feliz: Mr. Brian Epstein, que tinha dedicado sua vida aos Beatles e a organização das turnês. Brian percebeu que precisava muito mais dos Beatles do que eles dele. Um anos depois, em agosto de 1967, Brian morreria, aparentemente de overdose de drogas antidepressivas. Os Beatles não deixaram apenas crescer bigodes, barbas e cabelos. Eles cresceram! Afinal, foi a partir dali, que começaram, de fato, a mudar o mundo.

MICHAEL JACKSON – BLACK OR WHITE

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Se Michael Jackson vivo estivesse, estaria completando hoje 59 anos. Ele nasceu em Gary, Indiana, no dia 29 de agosto de 1958 e morreu em Los Angeles, em 25 de junho de 2009 com 51 anos. Especialmente em homenagem ao Rei do Pop, a gente confere um dos melhores vídeoclipes de todos os tempos: Black Or White, de 1991. 
O filme foi exibido simultaneamente em todo o mundo. No Brasil, passou no Fantástico. Assim que o vídeo acabou, a reação foi a mesma em todos os cantos do mundo. Todos ficaram chocados com os quatro minutos finais. Na sequência, MJ dançava até que em determinado momento ele quebra uma garrafa e em seguida estraçalha um carro parado na rua com um pé-de-cabra. Depois, quebra algumas janelas e em um acesso de fúria rasga a própria roupa. O trecho foi considerado bastante violento e a polêmica fez MJ ir a público pedir desculpas. MJ resolveu cortar os quatro minutos finais do vídeo, para os canais de TV. Ele disse: "Entristece-me pensar que 'Black Or White' poderia influenciar qualquer criança ou adulto a ter um comportamento destrutivo. Eu sempre tentei ser um bom exemplo e, portanto, fiz estas mudanças para evitar qualquer possibilidade de, inadvertidamente, afetar o comportamento de qualquer indivíduo"Muitos ainda criticaram a forma como MJ se comporta no vídeo, acusando-o de expor sua sensualidade, principalmente na cena onde ele fecha o zíper da calça depois de fazer movimentos considerados obcenos na época, meio que simulando um ato de masturbação. O segredo para transformar MJ em pantera foi talvez a única "polêmica positiva" do vídeo, foi a primeira vez que o efeito morfo foi usado na TV. Black Or White foi incluido em todos os DVD's de clipes que Jackson lançou posteriormente, inclusive o mais bem sucedido dele, o Number Ones, de 2003.
 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O DIA QUE BOB DYLAN CONHECEU THE BEATLES

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"Olhando em retrospecto, eu ainda vejo aquela noite como um dos grandes momentos da minha vida. Na verdade, eu tinha a consciência de que estava dando início ao encontro mais frutífero na história da música pop, pelo menos até então. Meu objetivo foi fazer acontecer o que aconteceu, que foi a melhor música de nossa época. Eu fico feliz com a ideia de que eu fui o arquiteto, um participante e o cronista de um momento-chave da história."
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Assim, o jornalista norte-americano Al Aronowitz se refere ao clássico encontro que, exatamente há 53 anos, mudou a cara da música pop e da cultura popular, quando, no dia 28 de agosto de 1964, os Beatles foram apresentados a Bob Dylan que os apresentou à maconha (exatamente um ano antes do encontro com Elvis). Esse encontro, entre Dylan e os Beatles, ocorrido no Delmonico Hotel, em Nova York, fez com que ambos artistas começassem a se enxergar como partes de um mesmo universo, cedendo atrativos musicais entre si - não havia mais consumismo infanto-juvenil de um lado e cabecismo adulto do outro, tudo era a mesma coisa. Nascia a música pop moderna. O que a princípio parecia se tornar um breve alô entre jovens ícones se tornou um acelerador para novas certezas que ambas as carreiras vinham desenvolvendo. Fenômeno de mercado, os Beatles eram uma banda elétrica adolescente, cantando baladas de amor e petardos dançantes com maestria inigualável. Já o acústico Dylan nascera na mesma cena folk pacifista que habitava o bairro boêmio do Village e glorificava autores beat e músicos do povo. Mas logo a seguir as coisas mudariam de figura. Dylan abraçaria a guitarra como um violão de maior alcance, ferindo seus próprios fãs puristas com decibéis de eletricidade distorcida, ao mesmo tempo em que deformava a própria lírica das canções de protesto para um panteão bíblico-pop que buscava a pureza da alma americana ao mesmo tempo em que se perdia em seus próprios pecados. Já os Beatles deixariam de lado o iê-iê-iê para mergulhar fundo em si mesmos, emergindo de seu experimentalismo intuitivo - parte nostálgico, parte ingênuo - com o melhor legado que o formato canção conheceu. Aronowitz havia entrevistado John Lennon e descobriu que ele considerava Bob Dylan um "ego igual" e, amigo de Dylan, passou a pensar em como aproximar os dois artistas. Até que, naquele 28 de agosto, Al recebeu um telefonema - era John Lennon, de passagem com os Beatles por Nova York: "Cadê ele?". "Quem?" "Dylan!". "Ah, ele está em Woodstock, mas eu posso trazê-lo!". "Do it!" (Faça!), mandou John do outro lado da linha, e o jornalista percebeu que podia dar ignição na própria história. Aronowitz combinou com Dylan, que veio acompanhado do roadie Victor Maimudes, ao volante. Com Al no carro, foram em direção a Manhattan, chegando logo ao hotel na Park Avenue. Lá, os três alcançaram o andar em que os Beatles estavam, sendo recebidos por um amontoado de artistas, radialistas, policiais e jornalistas, bebendo cerveja e conversando, que esperavam a vez de entrar na suíte para ver, e, talvez, quem sabe, conversar com os Beatles, que estavam na capa da revista "Life" daquela semana. Dylan e os outros dois passaram absolutamente despercebidos.

Dylan tratou de entrar rapidamente na suíte, e a recepção foi feita pelo empresário do grupo, Brian Epstein, que, ao perguntar, entre champanhe e vinhos franceses, o que Dylan gostaria de beber, ouviu o pedido por "vinho barato" - para despachar o roadie dos Beatles, Mal Evans, em busca da tal garrafa. O encontro vinha frio, e os Beatles ofereceram pílulas para Bob, que sugeriu que eles fumassem maconha. Os ingleses responderam que nunca haviam fumado - consideravam a maconha uma droga pesada como a heroína, restrita a músicos de jazz e escritores malditos. Pasmo, Dylan perguntou sobre aquela música que eles compuseram sobre estar chapado. Sem entender o que ele queria dizer, o cantor folk citou uma passagem em que os Beatles cantavam "I get high! I get high! I get high!" ("Eu fico chapado"), e Lennon, tímidamente, esclareceu que era I Want to Hold Your Hand, cuja letra, na verdade, dizia "I can't hide! I can't hide! I can't hide!" ("Eu não posso esconder!"). Desfeito o mal-entendido, Dylan sugeriu que todos fumassem logo um baseado. Os Beatles, Dylan, Mal, Victor, Brian, Al Aronowitz e o assessor de imprensa Derek Taylor se dirigiram ao fundo da suíte do hotel, onde se trancaram e fecharam as cortinas. Bob Dylan começou a enrolar o cigarro, mas deixou o fumo cair por duas vezes, deixando que seu roadie terminasse o serviço. Aceso, o cigarro foi passado para Lennon, que passou a vez para o baterista Ringo Starr (chamando-o de "meu provador real", que, por sua vez, por desconhecer os rituais canábicos, fumou o baseado inteiro, sem passá-lo adiante. Isso fez com que Al Aronowitz incentivasse a produção de mais cigarros - e logo cada um tinha o seu. "Foi muito engraçado!", lembra Paul McCartney em suas memórias Many Years from Now - "O negócio dos Beatles era humor, tínhamos muito humor. Havia um lado do humor que usávamos como proteção e, com aquilo ainda por cima, as coisas ficaram mesmo hilárias. Virou uma espécie de festinha. Voltamos todos para a sala, bebemos e coisa e tal, mas não acho que alguém precisasse de mais fumo depois daquilo. Passei a noite toda correndo para lá e para cá, tentando achar papel e caneta porque, quando voltei para o quarto, descobri o sentido da vida. Queria contar ao meu pessoal como era aquilo. Eu era o grande descobridor, naquele mar de maconha, em Nova York". "Até a vinda do rap, a música pop era largamente derivada daquela noite no Delmonico. Aquele encontro não mudou apenas a música pop, mudou nosso tempo", lembra Al Aronowitz, em sua coluna on-line "The Blacklisted Journalist". Logo depois, Dylan lançaria, em seqüência, os discos "Bringing It All Back Home", "Highway 61 Revisited" e "Blonde on Blonde", enquanto os Beatles trariam "Rubber Soul", "Revolver" e "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band".

E somente aqui, com a exclusividade de sempre, a gente confere um trecho do livro "The Love You Make" de Peter Brow, que, grande parte foi traduzido e publicado na revista Manchete em 1983, em quatro capítulos, se não me engano. Só aqui!


Em 28 de agosto de 1964, um evento ligeiro mas auspicioso ocorreu no Hotel Delmonico, de Nova Iorque, que iria afetar a cosnciência do mundo: Bob Dylan fez os Beatles experimentarem Marijuana pela primeira vez na vida. Antes disso, eles rejeitavam a maconha até com paixão; no que lhes dizia respeito, os que fumavam maconha eram viciados, para eles na mesma categoria dos viciados em heroína. Pouco depois da conversão feita por Dylan, eles começaram a compor sob o efeito da erva. Dylan lhes forneceu a chave que abriria uma porta para uma nova dimensão na música pop, e eles levaram a juventude do mundo inteiro a cruzar essa porta com eles. John Lennon há muito tempo esperava conhecer Bob Dylan, apesar de não tanto quanto desejava conhecer Elvis Presley. Para John, Elvis era um Deus que atingira um grau indescritível de santidade. Dylan era um contemporâneo, e para John, apenas um outro competidor, apesar da pontada de inveja que John sentia pelo dom que Dylan tinha para construir suas letras. Fazia pouco tempo que John começara a sentir um interesse especial em escrever suas próprias letras; sua primeira canção introspectiva, autobiográfica, foi Ill Cry Instead, feita para a trilha sonora do primeiro filme dos Beatles, A Hard Day’s Night (Os Reis do Iê-iê-iê), mas que não chegou a ser editada.Eles foram apresentados por um amigo comum, o escritor Al Aeronowitz, que foi um dos primeiros jornalistas a verdadeiramente escrever sobre música pop. Aronowitz fizera amizade com John na primavera anterior, em Londres, enquanto escrevia sobre ele para o Saturdey Evening Post. Nessa época John disse a Aeronowitz que gostaria de conhecer Bob Dylan, mas somente “em seus próprios termos”, pois John achava que se tornara seu “ego gêmeo”. Naquele 28 de agosto, depois de ter tocado no Forest Hill Tennis Stadium, e depois das caras sorridentes dos Beatles terem aparecido na capa do Life, John estava pronto. Aeronowitz chegava de Woodstock, com Dylan, numa perua Ford azul, dirigida por Victor Mamoudas, empresário das turnês de Dylan e seu grande amigo pessoal. No lobby do hotel se viram cercados por uma escolta de dois policiais que os acompanhou até o andar dos Beatles.Quando a porta do elevador se abriu, Dylan e companhia ficaram chocados de ver ainda mais policiais, além de uma dúzia de pessoas conversando alegremente e tomando drinques. Deste grupo, que esperava para poder entrar na suíte dos Beatles, faziam parte vários repórteres, disc-jockeys e os grupos The Kingston Trio e Peter, Paul e Mary.Dylan era mais baixo do que os rapazes pensavam. Após desajeitadas apresentações, oficiadas pelo empresário Brian Epstein, a tensão e o embaraço naquele quarto eram palpáveis. Brian levou os convidados até o living, numa tentativa de evitar que a noite naufragasse. Ele perguntou a Dylan e amigos o que gostariam de beber, e Dylan respondeu: “Vinho barato.”Enquanto alguém foi arranjar o vinho, mencionou-se obliquamente que havia algumas pílulas estimulantes em disponibilidade, mas Dylan e Aeronowitz reagiram fortemente contra essa idéia. Ambos eram na época convictamente antiquímicos, especialmente bolinhas. Já os Beatles tomavam esses estimulantes, nem tanto como drogas, mas como um auxílio para segurar a barra de intermináveis compromissos artísticos e sociais. Em lugar das pílulas, sugeriu Dylan, talvez eles gostassem de experimentar algo orgânico e verde, nascido do doce e macio seio da Mãe Terra. Brian e os Beatles olharam uns para os outros com apreensão. “Nunca fumamos maconha antes”. Brian finalmente admitiu. Dylan olhou, sem acreditar, de um rosto para o outro. “Mas e a canção de vocês?”, perguntou. “Aquela em que vocês dizem que ficam altos?”Os Beatles estavam estupefatos. “Que canção?”, John conseguiu perguntar. Dylan disse: “Você sabe...”, e em seguida cantou: “And when I toutch you I get high, I get high, I get high...”John enrubesceu de tanto constrangimento. Dylan se referia ao grande sucesso da primeira fase dos Beatles, I Wanna Hold Your Hand. “As palavras não essas”, disse John. “São ‘I can’t hide, I can’t hide, I can’t hide’...” O embaraço era total. A confusão de Dylan entre I can’t hide e I get high (não consigo entender e fico alto) demonstrava que fora traído pelo subconsciente, ou talvez fosse aquilo que em língua inglesa se chama wishful thinking, e que poderia ser traduzido, com alguma dificuldade, por "pensamento tendencioso".Dylan resolveu quebrar a tensão acendendo o primeiro baseado. Após dar instruções sobre como se devia fumar, passou-o para John, John pegou o bagulho, mas estava com medo de ser o primeiro a experimentar, e passou-o para Ringo, a quem chamou de “meu provador real”. Ringo mandou ver, e queimou o baseado inteiro sozinho, enquanto Dylan e Aeronowitz enrolavam mais uma meia dúzia.Ringo começou a rir primeiro, provocando a liberação dos outros. Tal como a maioria dos que fumam maconha pela primeira vez, eles achavam muita graça nas coisas mais triviais. Dylan ficou olhando durante horas enquanto os Beatles estouravam de rir, Às vezes com algo autenticamente engraçado, mas na maioria dos casos com pouco mais que um olhar, uma palavra ou uma pausa na conversa. Meses depois, “vamos rir um pouco” virou código para “vamos fumar maconha”.