sexta-feira, 30 de junho de 2017

OS BEATLES NA TERRA DO SOL NASCENTE

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No dia 30 de junho de 1966, os Beatles e sua comitiva chegam ao Haneda Airport, em Tóquio, às 3h40 (tendo perdido um dia em razão da diferença de fuso horário). Do aeroporto, seguiram para o Tokyo Hilton, onde todo um andar fora reservado para eles. À noite, é a apresentação Nippon Buiiokan Hall, em Tóquio. Os Beatles apresentam-se com Yuya Uchida e Isao Bitoh, em um show que reuniu 10 mil fãs enlouquecidos. Houve vários protestos da direita japonesa, incluindo ameaças de morte, contra a apresentação dos Beatles no Nippon Budokan Hall (Martial Arts Hall), templo sagrado destinado às artes marciais, visto como santuário nacional dos mortos da Segunda Guerra. Portanto, era considerado um sacrilégio uma banda de rock tocar em seu palco. Por causa dessas ameaças, os japoneses montaram um esquema de segurança entre o aeroporto e o hotel, com 30 mil homens uniformizados. Depois dos Beatles, o Nippon Budokan Hall, em Tóquio, veio a se tornar um dos principais locais para shows de rock em Tóquio.

No dia seguinte, 1º de julho, novamente no mesmo palco do Nippon Budokan Hall, os Fab Four fizeram dois shows, sendo que o primeiro foi filmado pela TV japonesa. No dia 2 de julho foi a última apresentação no Japão, também na mesma casa: Nippon Budokan Hall. A histeria dos fas é tamanha e o esquema de segurança do Exército tão rígido que os Beatles não puderam sair do hotel e, para comprarem algumas lembranças, comerciantes locais foram até sua suíte, onde lhes venderam quimonos, tigelas e outros objetos a preços exorbitantes.

Depois de partirem do Japão, fizeram uma escala em Hong Kong e seguiram para Manila nas Filipinas, onde passariam seus piores momentos, mas essa, é outra história.

terça-feira, 27 de junho de 2017

JOHN LENNON RECEBE SEU TÃO AGUARDADO GREEN CARD

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No dia 27 de julho de 1976, após anos de briga judicial com a imigração norte-americana, John Lennon recebe finalmente seu tão aguardado "Green Card", documento que autoriza sua permanência definitiva nos EUA. Ele recebeu a carteirinha de número A17 597 321 do Juiz Ira Fieldsteel, que lhe permitia entrar e sair livremente no país. John declarou na época que agora iria fazer “o que todo mundo faz, ou seja, cuidar da vida, esposa e filhos”. Ele ainda diria que só voltaria a gravar um disco quando Sean completasse 5 anos de idade. “Não quero que aconteça o mesmo que aconteceu com Julian, que eu mal vi crescer”.
Resultado de imagem para John Lennon em Nova York - Os anos da revolução" de James A. Mitchell
Aqui, como sempre com a mais absoluta exclusividade, a gente confere um trechinho do excelente livro "John Lennon em Nova York - Os anos da revolução" de James A. Mitchell.


DEVIDO À MÁ publicidade gerada pelo “fim de semana perdido”, Lennon aceitara alguns convites para aparecer sob uma luz mais favorável. Em abril de 1974, surgiu ao lado de Harry Nilsson, sem tocar, num concerto beneficente da March of Dimes Foundation, no Central Park, e em maio passou dois dias na Filadélfia para pres­tigiar a maratona de arrecadação de fundos Helping Hands, da rá­dio WFIL-FM, antes de voltar suas atenções para Walls and Bridges. Com a chegada do outono, quase três anos depois da abertura de uma ficha com seu nome no INS, foi a vez de Lennon abrir o seu próprio processo: uma ação judicial com base na Primeira Emenda contra dois ex-procuradores-gerais dos Estados Unidos.
Como relatado no artigo “Justiça para um Beatle” da Rolling Stone, Wildes moveu uma ação contra o INS e os ex-procuradores John Mitchell e Richard Kleindienst, alegando que a “acusação se­letiva” de Lennon tivera motivações políticas e que as informações utilizadas na construção do caso haviam sido obtidas ilegalmente por meio de vigilância e grampos sem mandado judicial. A ação pedia ao juiz Richard Owen, do tribunal distrital, que permitisse a Lennon provar, suas alegações. Foi o que Wildes tratou de fazer;
Litígios envolvendo órgãos do governo costumam demorar. Com o passar dos meses, a prioridade de Lennon se transferiu da carreira para o casamento. Enquanto isso, sua ação prosperava com o lento acúmulo de indícios. Assim como ocorreu com o caso Watergate, a revelação de documentos do INS e do FBI trouxe ao primeiro plano pessoas que sabiam de informações condenatórias. Um artigo da United Press International de junho de 1975 disse que Wildes tinha a documentação necessária para provar que a ordem de deportação de Lennon viera de Washington e que o INS enga­nara a imprensa: embora o seu diretor em Nova York, Sol Marks, tivesse afirmado ter ele próprio tomado a decisão de abrir o caso, uma história diferente estava sendo contada em 1975: “Marks decla­rou em depoimento, na semana passada, que serviu de veículo das instruções de Washington, cujo significado ele entendia ser ‘Não devemos dar trégua a esse sujeito’.”
Wildes nunca acreditou que pudesse derrotar o INS; as chances eram reduzidas e as cartas contra Lennon, marcadas. O apelo de Lennon foi rejeitado pelo INS e, em 17 de julho de 1975, ele recebeu nova ordem para deixar o país em 60 dias.
Mas as coisas haviam mudado. O processo aberto por Lennon permanecia sem decisão, com outros depoimentos ainda por tomar.
Quatro anos depois de terem sido apresentados, Wildes era ago­ra um dos mais íntimos amigos nova-iorquinos de Lennon. Foi, portanto, com mais do que mero prazer profissional que ele lhe telefonou, em outubro, para transmitir sua mais recente e última notícia sobre o caso. “Você lembra que eu lhe disse que dificilmente ganharíamos esse processo?” perguntou-lhe Wildes, “Mas que talvez conseguíssemos sobreviver tempo suficiente para que a lei fosse alte­rada? Pois eu estou telefonando para lhe dizer que vencemos!”
Em 7 de outubro de 1975, o Tribunal de Apelações dos Estados Unidos derrubou a ordem de deportação de John Lennon confir­mando que suas alegações sobre o papel do governo Nixon no caso eram todas verdadeiras. Wildes lhe deu a notícia quando Lennon se dirigia ao hospital onde, a qualquer momento, Yoko Ono daria à luz. No dia do 35º aniver­sário de Lennon, 9 de outubro de 1975, pouco depois de saber que sua longa luta pela liberdade de expressão terminara em vitória, John e Yoko receberam seu filho, Sean Ono Lennon.
Lennon obteve o direito de residência permanente nos Estados Unidos em junho de 1976. Indagado se guardava algum ressenti­mento contra Mitchell, Nixon e Thurmond, Lennon deu de ombros e, sorrindo para os repórteres presentes, respondeu: “É, o tempo cura todas as feridas.”
Depois de mais de uma década de fama, riqueza, muita bajula­ção e flertes com as armadilhas do sexo, das drogas e do rock and roll, John Lennon era — finalmente — um homem feliz.

MARVIN, WELCH & FARRAR - LADY OF THE MORNING

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Marvin, Welch & Farrar ( também conhecido como MWF) foram um grupo dos anos 70 formado por Hank Marvin e Bruce Welch, ambos membros de The Shadows - como uma mudança de direção durante 1970 a 1973 - e John Farrar (ex- The Strangers). A diferença foi que enquanto The Shadows eram famosos por seu trabalho instrumental, Marvin, Welch e Farrar eram um trio de harmonia vocal. Eles foram favoravelmente comparados com Crosby Stills Nash e Young (também conhecido como CSNY) e The Hollies. O segundo álbum, Second Opinion (1971), produzido por Peter Vince , foi eleito como um dos melhores álbuns já gravados nos estúdios da Abbey Road pelos engenheiros de som da EMI Records em uma pesquisa privada durante a década de 1970.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

THE BEATLES - EVERYBODY'S GOT SOMETHING TO HIDE EXCEPT ME AND MY MONKEY

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Como uma ponte entre o absurdo intencional de I Am The Walrus e as músicas confessionais de sua carreira inicial inicial, Everybody's Got Something To Hide foi escrita por John Lennon sobre sua relação com Yoko Ono. Começou a ser gravada no dia 26 de junho de 1968. Foi produzida por George Martin e teve Geoff Emerick e Ken Scott como engenheiros. Foi lançada em novembro daquele ano no Álbum Branco.Inicialmente batizada “Come On, Come On”, “Everybody’s Got Something to Hide Except Me And My Monkey” foi construída a.partir do título. John afirmou que era uma clara referência à sua relação com Yoko Ono: “Era só um belo verso que transformei em canção. Todos pareciam estar paranóicos, com exceção de nós dois, que estávamos loucos de amor... todos à nossa volta pareciam meio tensos”. Foi só após a volta da índia que a amizade se transformou em um affair, e Cynthia soube do que estava acontecendo. Yoko começou a ir às gravações do novo álbum, o que incomodou muito os demais Beatles. A imprensa britânica também achou difícil aceitar Yoko e essa versão blasé de John. Isso acabaria influenciando em sua mudança para os EUA. “Na Inglaterra, eles acham que eu sou alguém que ganhou o jogo e fugiu com uma princesa japonesa”, ele afirmou uma vez. “Nos EUA, eles a tratam com respeito. Eles a tratam como a artis­ta séria que ela é.” O rápido “come on, come on, come on...” do refrão é parecido com o que ficou conhecido como “refrão gorgolejado” da faixa “Virgin Forest”, do Fugs, lançada em The Fugs’ Second Álbum (1966). Barry Miles, na época à frente da Indica Bookshop, fornecia aos Beatles os últimos lançamentos alternativos dos EUA, incluindo o trabalho de The Fugs.
Embora Lennon tenha negado isso, o macaco do título foi amplamente considerado como uma referência clara à heroína, assim como as palavras "Quanto mais fundo você for, mais você voa". 'A monkey on the back' – ‘Um macaco nas costas’ - era um termo de jazz para o vício em heroína que se pensava ter-se originado na década de 1940. Lennon e Yoko Ono começaram a tomar heroína em 1968; Eles alegaram que usaram isso para escapar do interesse da imprensa em seu relacionamento.No livro “Many Years From Now” de Barry Miles, Paul McCartney diz: “Ele estava entrando em drogas mais difíceis do que nós e então suas músicas estavam tomando mais referências à heroína. Até esse ponto, fazíamos referências bastante suaves e oblíquas à maconha ou ao LSD. Agora, John começou a falar sobre consertos e macacos... ele estava em uma que o resto de nós não estava. Ficamos desapontados com o fato de ele estar entrando na heroína porque não vimos realmente como pudéssemos ajudá-lo. Apenas esperávamos que não fosse tão longe. Na verdade, ele acabou limpo, mas esse foi o período em que ele estava nisso. Foi um período difícil para John, mas muitas vezes essa adversidade e essa loucura podem levar a uma boa arte, como eu acho que aconteceu neste caso.”
Os Beatles ensaiaram várias vezes a música antes de gravá-la. Uma versão demo foi gravada na casa de George Harrison em Esher em maio de 1968 e mostra como ela começou como uma suave música baseada em blues, com pouca sugestão do rockão que se tornaria. Na gravação do álbum, John Lennon faz o vocal, toca guitarra, percussão e bate palmas; Paul McCartney faz backing vocals, toca o baixo, percussão e bate palmas; George Harrison : faz backing vocals, guitarra solo, percussão e bate palmas e Ringo toca sua bateria, percussão e bate palmas.

THE BEATLES - A HARD DAY'S NIGHT - AMERICAN ALBUM

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A trilha sonora do primeiro filme dos Beatles pouco se parece com o álbum de mesmo nome lançado no Reino Unido, embora inclua todo o material novo usado no filme, além das contribuições orquestradas de George Martin. O LP foi lançado no dia 25 de junho de 1964. As sete novas músicas ouvidas no longa estão espalhadas nos dois lados do álbum, ao passo que, no disco britânico - que também inclui “I’ll Cry Instead”, descartada do filme no último minuto estão todas no lado Um.
LADO UM: A Hard Day’s Night; Tell Me Why; I’ll Cry Instead; I Should Have Known Better (instrumental); I'm Happy Just To Dance With You; And I Love Her. LADO DOIS: I Should Have Known Better; If I FelI; And I Love Her; Ringo's Theme - This Boy (instrumental); Can't Buy Me Love; A Hard Day's Night (instrumental).

domingo, 25 de junho de 2017

HÁ OITO ANOS MORRIA FARRAH FAWCETT - A PANTERA

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Há 8 anos, no dia 25 de junho de 2009, morreu a mais bonita das panteras. Farrah Fawcett morreu de câncer com 62 anos. Não deixe de conferir a postagem FARRAH FAWCETT - O TRÁGICO FIM DA PANTERA – publicada originalmente no dia de sua morte. Ah, nessa mesma data, morreu também Michael Jackson – o rei do pop.

THE BEATLES - ALL WE NEED IS LOVE...

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Em 1967, a equipe do canal londrino BBC convidou os Beatles a participarem do primeiro evento transmitido mundialmente via-satélite, ao vivo simultaneamente para 26 países. Esse trabalho envolveu redes de TV das Américas, Europa, Escandinávia, África, Austrália e Japão. Foi então solicitado que o grupo escrevesse uma música cuja mensagem pudesse ser entendida por todos os povos do planeta. John Lennon e Paul McCartney começaram a trabalhar separadamente em diferentes letras, até que Lennon acabou escrevendo esse clássico que se encaixou perfeitamente ao objetivo proposto, pois a mensagem de amor contida na canção poderia ser facilmente interpretada ao redor do mundo. A transmissão mundial dessa apresentação foi ao ar em 25 de junho de 1967. Rapidamente, ALL YOU NEED IS LOVE foi direto para 1º lugar de todas as paradas do 1º mundo!
E como sempre é de costume, com a mais absoluta exclusividade, somente aqui no Baú dos Beatles e da Cultura pop, em homenagem aos 50 anos de All You Need Is Love,a gente confere um capítulo inteiro do livraço "Minha Vida Gravando Os Beatles", de Geoff Emmerick. O engenheiro de som que viu tudo acontecer na frente dos seus olhos. Absolutamente imperdível!
Apesar de toda a diversão que estávamos tendo no estúdio, não há dúvi­da de que os Beatles estavam de fato bastante dispersos naquele momento. Richard e eu estávamos adorando aquelas sessões, mas George Martin come­çou a reclamar um pouco sobre a falta de produtividade da banda. Pessoal­mente, eu via como um pequeno alívio inofensivo depois de toda a intensi­dade que tinha sido colocada em Sgt. Pepper. A pergunta era: quanto tempo aquilo duraria antes que eles ficassem entediados? Mas naquela altura não havia tempo para o tédio. Dois meses antes, en­quanto ainda estávamos envolvidos com o trabalho de completar Sgt. Pepper, Brian Epstein fez uma de suas raras visitas ao estúdio. Com um movimento grandiloquente de suas mãos, ele pediu silêncio. “Rapazes”, ele anunciou,“eu tenho uma notícia fantástica para dar”. Os ouvidos de todos ficaram em alerta. Brian fez uma pausa dramática para dar ênfase. “Vocês foram seleciona­dos para representar a Inglaterra em um programa de televisão que, pela primeira vez, será transmitido ao vivo em todo o mundo via satélite. A BBC de fato irá filmá-los na gravação de seu próximo álbum.” O show, ele continuou explicando, se chamaria Our world, e era uma celebração de culturas ao redor do mundo. Ele olhou ao redor da sala com expectativa. Eu quase pensei que ele estava se preparando para fazer uma reverência. Para sua total decepção, a resposta do grupo foi... bocejar. Ringo se remexeu nos fundos da sala, ansioso para voltar ao jogo de xadrez com Neil, e George voltou a afinar sua guitarra. John e Paul trocaram olhares inexpressivos por um momento. Paul não parecia muito interessado; eu acho que ele provavelmente estava muito determinado a terminar Sgt. Pepper. Com uma visível falta de entusiasmo, John finalmente disse: “Ok. Vou fazer alguma coisa”. Brian ficou irritado com a reação indiferente do grupo."Vocês não estão animados? Não percebem o que isso significa para nós? Não têm ideia de quanto trabalho e esforço eu fiz para conseguir isso?”.
Lennon interrompeu-o com um comentário ácido: “Bem, Brian, isso é o que você ganha por nos comprometer a fazer algo sem nos consultar antes”. Epstein parecia próximo das lágrimas. Sem palavras, ele saiu batendo os pés do estúdio, em um chilique. Pelas conversas no estúdio que aconteceram depois que ele foi embora, eu deduzi que, ao invés de verem isso como uma grande conquista, os quatro Beatles viram aquilo como uma violação da sua autodeclarada intenção de nunca mais tocar ao vivo. Além do mais, eles se ressentiram com o fato de que o empresário havia apresentado aquilo a eles como um fato consumado. Eles estavam em um ponto em que eles queriam ter o controle das próprias carreiras. Com isso, o assunto foi esquecido... até que, algumas semanas depois, durante uma das sessões de “You know my name”, Paul perguntou casual­mente a John: “Como você está indo com aquela música para o programa de televisão? Já está quase pronta?”. John olhou interrogativamente para Neil, que tomava conta da agenda da banda. “Duas semanas, parece”, Neil respondeu depois de consultar seu livro esfarrapado. “Tão perto assim? Bem, então, acho que é melhor eu es­crever alguma coisa”. Essa “alguma coisa” que John Lennon escreveu — por encomenda e lite­ralmente em questão de dias — foi a canção “All you need is love”, que não só foi direto para o topo das paradas, mas serviu como hino para uma geração, a síntese perfeita da era ingênua e de olhos deslumbrados conhecida como o Verão do Amor. Em nossa perspectiva, aquele parecia mais o verão da loucura. Em um minuto, estávamos trabalhando em um ritmo tranquilo em dois projetos dis­tintos, simultaneamente, nenhum dos quais tinha uma data de término defi­nitiva, e no minuto seguinte, todo o complexo da Abbey Road foi lançado em um pânico total, porque a própria transmissão seria originada no Studio One. O projeto se desenrolou tão rapidamente, na realidade, que George Martin não conseguiu agendar a banda para qualquer um dos estúdios da EMI, então eles tiveram de gravar a base no Olympic; mais uma vez, para minha frustração, eu não pude fazer a engenharia de som da faixa e nem mesmo estar presente, porque eu era um funcionário da EMI. Quando eles voltaram, nós rapidamente organizamos três sessões na Abbey Road, durante as quais nós gravamos os backing. Não é preciso dizer que fazer playback para uma faixa pré-gravada era a maneira de agir mais segura, mas, em um acesso de bravata, Lennon anunciou que ele gravaria sua voz ao vivo, durante a transmissão, o que levou o sempre competitivo Paul a replicar que, se John ia fazer aquilo, ele também tocaria baixo ao vivo. Aquela me parecia ser uma decisão imprudente - embora corajosa. E se um deles cantasse ou tocasse uma nota errada na frente de milhões de telespectadores? Mas eles estavam extremamente confiantes e não puderam ser dissuadidos por George Martin, que era totalmente contra, mas, como estava acontecendo naquela altura, ele não tinha mais autoridade.
Em um ato de desafio ainda maior, John e Paul tentaram convencer George Harrison a fazer seu solo de guitarra ao vivo, o que todos nós sabiámos que era uma proposta traiçoeira; para minha surpresa, Harrison cedeu, sem muita discussão; minha sensação é de que ele estava com medo de ficar constrangido na frente de seus companheiros de banda. Somente Ringo estava completamente seguro, por razoes técnicas: se a bateria tosse tocada ao vivo, haveria muito vazamento nos microfones que captariam o som da orquestra. Ringo balançou a cabeça solenemente, concordando, quando eu expliquei isso para ele. Eu não sei dizer se ele ficou aliviado por ter se livrado da responsabilidade de tocar ao vivo, ou se ele se sentiu deixado de fora. A transmissão estava prevista para ser realizada em menos de uma semana, num domingo à noite. Nos dias que a antecederam, eu comecei a fumar um cigarro atrás do outro e tive insônia e dores de cabeça. Os outros funcionários da Abbey Road me alfinetavam sem parar, dizendo que não trocariam de lugar comigo por todo o chá na China. Eu entendia o que eles queriam dizer. Eu sabia que estava na berlinda: se alguma coisa, qualquer coisa desse errado com a parte do áudio ua transmissão, o dedo seria apontando diretamente para mim. Na noite de sexta-feira, no meio de uma prova de figurino, Brian Epstein chegou e fez uma reunião com George Martin e a banda na sala de controle do estúdio One, para discutirem se seria prudente fazer um lança­mento relâmpago da performance vindoura como um single. John, é claro, esta­va interessado — era a canção dele, afinal de contas — e não foi preciso muito estorço para conseguir que Paul fosse convencido também, uma vez que ele sabia o valor da publicidade maciça que eles receberiam graças à transmissão, garantindo assim uma grande venda de discos. Apenas George Harrison esta­va relutante; presumivelmente, ele estava preocupado de que ele pudesse fa­lhar em seu solo, apesar de ter apenas quatro compassos. Ele foi finalmente persuadido quando George Martin assegurou a ele que poderíamos ficar até mais tarde e depois fazer qualquer conserto que fosse necessário. A decisão, é claro, colocou ainda mais pressão sobre mim. Eu já não tinha de apenas fazer o som para a transmissão ao vivo — o caminhão da BBC, estacionado do lado de tora, receberia no monitor o sinal de áudio da mixagem que eu estaria fazendo enquanto os Beatles e os músicos da orquestra tocariam ao vivo —, mas eu tinha de ter tudo corretamente gravado em fita também.

Somando-se ao caos, havia a insistência de John em fazer uma mudança de última hora para o arranjo, o que deixou George Martin em frenesi - ele estava fazendo a partitura para a orquestra e teve de rapidamente fazer novas partituras para os músicos, que perambulavam impacientemente, esperando por ele. A seu favor, George veio com um arranjo espetacular, especialmente considerando o tempo muito limitado que ele teve para fazê-lo e a métrica estranha que caracterizava a música. "All you need is love" era de fato muito simples quando nos foi mostra­da pela primeira vez, mas ela foi ficando mais complicada conforme ia ga­nhando estrutura. Embora fosse uma composição de Lennon, notei que Paul estava tomando a frente em muitos aspectos, certamente em termos de fazer sugestões e interagir com os músicos clássicos, muitos dos quais (como o trompetista David Mason) tinham trabalhado conosco antes. Como George Martin quis permanecer na sala de controle, Mike Vickers, da banda Manfred Mann, foi recrutado para reger. De tarde, antes da transmissão, a equipe da BBC chegou e começaram os ensaios de câmera. A imprensa também foi autorizada a fazer uma breve sessão de fotos, mas quase não os notei - eu estava muito ocupado, concentrado nos desafios técnicos da transmissão ao vivo; havia muitas coisas que poderiam dar errado. Para desgosto do grupo, os fotógrafos ficavam gritando perguntas que não tinham nada a ver com a transmissão que aconteceria, isso porque Paul tinha dado uma controversa entrevista à BBC alguns dias antes, na qual ele confessara que havia tomado LSD. Os outros Beatles esta­vam com ele, mas eu podia dizer pelas suas expressões naquele dia que eles não estavam satisfeitos com a invasão indesejada naquilo que eles viam como suas vidas pessoais.
Logo recebemos a notícia de que o diretor de televisão queria colocar uma câmera na sala de controle para pegar imagens de nós três. Um George Martin claramente satisfeito se voltou para mim e disse: “E melhor vocês se arrumarem — vocês estão prestes a se tornar estrelas de televisão internacio­nais”, o que fez com que eu ficasse ainda mais nervoso! Em certo momento durante os ensaios de câmera, notei George Harrison conversando com o diretor de televisão por muito tempo. Eu não tinha ideia do que eles estavam falando, mas notei durante a transmissão que a câ­mera não estava voltada para George durante o seu solo de guitarra.Talvez ele tenha pedido isso especificamente, seja porque ele não tinha confiança em sua performance, seja porque ele sentia que era provável que ele substituísse o trecho mais tarde. Houve também certo problema com os microfones de voz que eu estava usando, que eram volumosos e aparentemente ofensivos para o diretor quan­to à estética. Mesmo que Paul e George fossem fazer playback de seus backmg vocais (que tinham sido pré-gravados, junto com a voz guia de John), Paul tinha pedido um microfone que funcionasse, para que ele pudesse gritar alguns improvisos. O problema é que o microfone que eu tinha colocado bloqueava o rosto de Paul no ângulo de câmera que eles queriam usar. No finall, eu concordei com o pedido do diretor de que um microfone menor fosse usado, mesmo que aquele não fosse o microfone que eu normalmente escolheria. Eu sentia que era improvável que qualquer coisa que Paul acabas­se improvisando fosse de grande importância para a gravação, e mesmo se fosse seria algo que poderíamos gravar por cima depois.
Os ensaios do fim de semana duraram horas, mas, de repente, já era do­mingo a tarde. Depois de completar uma breve passagem de som, George Martin convidou Richard e eu para sua casa próxima a Marble Arch, onde ele morava com sua esposa, Judy, para que pudéssemos descansar por uma ou duas horas antes da transmissão da noite. Judy nos fez sanduíches de cordeiro, que sempre foram os favoritos de George. Foi um belo gesto do sobrecarre­gado produtor, que estava, como nós, sob muita pressão. Infelizmente, eu não acho que lenha ajudado muito a nos acalmar. Eu simplesmente estava louco para que aquilo acabasse! Quando voltamos à Abbey Road, por volta das seis horas, os Beatles já se encontravam lá, vestindo suas melhores roupas da Carnaby Street, e os músi­cos em smokings, enquanto as celebridades convidadas — inclusive Brian Epsteín e várias estrelas do rock, esposas e namoradas — estavam começando a chegar. Havia uma verdadeira atmosfera de festa, semelhante àquela que nós havíamos presenciado durante os prévios happenings dos Beatles, mas Richard e eu ficamos impressionados pela forma como John estava visivelmente ner­voso, o que era bastante incomum para ele: nunca o tínhamos visto tão preo­cupado. Ele fumava como uma chaminé e bebia diretamente de uma garrafa, apesar das advertências de George Martin de que aquilo era ruim para a sua voz - um conselho que Lennon ignorou solenemente. Uma vez, quando eu passava, eu ouví John murmurando para si: “Oh, Deus, espero cantar certo a letra”. Naquela noite, ele foi forçado a confiar em sua memória, porque a folha com a letra que ele sempre usava teve de ser deixada de lado, devido ao angulo da câmera; se ele virasse a cabeça para consultá-la, cantaria fora do microfone. Paul dava a impressão de estar confiante, mas ele tinha um sorriso estranho e congelado plantado em seu rosto, que traía seus nervos em frangalhos. George e Ringo pareciam ser os mais calmos dos quatro, embora eu pudesse perceber alguma tensão na linguagem corporal deles também. À medida que a hora da transmissão se aproximava cada vez mais, era quase possível sentir a adrenalina enquanto o nervosismo crescia em todos nós.

Paul entrou na sala de controle em certo momento e passou algum tem­po trabalhando no som do baixo comigo. Isso me pareceu uma coisa inteli­gente a se fazer. Não somente ele estava se certificando de que seu instru­mento ficaria da forma como ele queria, mas sair do estúdio e ficar longe dos outros e da linha de fogo teve um efeito calmante sobre nós dois. Isso deu a ambos um pequeno santuário onde podíamos nos concentrar em apenas uma coisa específica, e não pensar sobre o monumental feito técnico que logo estaríamos tentando realizar. Graças à Lei de Murphy o caminhão da BBC perdeu a comunicação minutos antes de entrarmos no ar, então George Martin teve de retransmitir a instrução do diretor de “ficar a postos” para todos que estavam no estúdio, o que colocou uma pressão extra sobre ele. Um pouco antes do momento previsto para a transmissão começar, George e eu decidimos beber um gole de uísque para dar sorte. Richard quis se juntar a nós, mas George disse: “Não, é melhor você não”. Ele sabia que o trabalho de Richard era absolutamente crítico, porque ele tinha a tarefa de reproduzir a fita com a base a partir de uma máquina multitrack enquanto gravava simultaneamente a performance ao vivo em outra máquina. Se ele se enganasse e colocasse a máquina errada para gravar, teríamos um desastre em nossas mãos! Assim que os copos alcançaram nossos lábios, Murphy atacou mais uma vez.“Indo ao ar ... AGORA!”, nós ouvimos pelo interfone, inesperadamen­te. De acordo com o nosso relógio, eles estavam quarenta segundos adianta­dos. Mas não havia tempo para discutir ou debater o assunto. Instintivamente George e eu tentamos loucamente esconder a garrafa e os copos debaixo da mesa de mixagem antes que a câmera da sala de controle nos pegasse beben­do. Felizmente, conseguimos completar a operação segundos antes de a luz vermelha se acender. Considerando o pânico de última hora, eu acho que George fez um bom trabalho ao recuperar sua compostura, parecendo ele­gante em seu terno branco à la Casablanca. Após um momento de pausa, enquanto ele recebia instruções do caminhão da BBC, ele colocou o microfone de comunicação em frente à sua boca e disse: “Pronto, Geoff?"
Eu estava... mas, ao mesmo tempo em que a pergunta foi feita para mim, eu também ouvi o som desconcertante de uma fita sendo enrolada de novo; obviamente, Richard não estava tão pronto como o resto de nós. Tentei ganhar tempo. “Hummm... pronto, Richard?”, eu murmurei tão lentamente quanto pude, enquanto meu assistente aterrorizado olhava im­potente para o gravador, ainda rebobinando. O problema era que, enquan­to o caminhão de televisão da BBC estava passando o vídeo de introdução do programa, nós devíamos estar reproduzindo uma pré-mixagem iniciai da canção, completa com a guia de voz de John, como pano de fundo para o que estava acontecendo na tela. Então, enquanto Steve Race, o locutor, começou a apresentar o nosso segmento, Richard teve de rebobinar e ra­pidamente mudar as bobinas; aquele era o trabalho que não estava total­mente completo quando George se voltou para nós. Foi apenas uma ques­tão de segundos antes de Richard conseguir resolver aquilo e tudo ficar pronto para ir ao ar, mas naquela sala de controle apertada e quente aquilo pareceu durar uma eternidade. Finalmente chegamos ao momento da verdade. George Martin falou aos quatro Beatles, suas esposas, amigos e orquestra: “Ok, todos a postos... lá vamos nós!”, e a transmissão começou. Do início ao fim, tudo durou apenas quatro minutos, mas pareceram horas. Foi angustiante, com certeza, mas por algum milagre não houve problemas técnicos de nossa parte. Durante poucos segundos a transmissão ao vivo da BBC de fato perdeu o sinal de vídeo, mas, felizmente, esse foi recu­perado rapidamente, e, de qualquer maneira, não foi culpa nossa, Os próprios Beatles fizeram uma performance inspiradora, mas dava para ver a expressão de alívio em seus rostos à medida que a música foi acabando e eles perceberam que realmente haviam conseguido fazer aquilo. John passou por tudo como um artista experiente, fazendo um vocal surpreendente, apesar de seu nervo­sismo e do chiclete em sua boca, que ele havia esquecido de jogar fora antes de irmos ao ar, O desempenho de Paul, como sempre, foi sólido, sem gafes, e ate mesmo o solo de George Harrison foi razoavelmente bom, embora ele tenha dado uma nota errada no final. Sem surpresa, apesar da partitura com­plicada e das complexas mudanças de tempo, os músicos da orquestra passaram por tudo aquilo como os profissionais que eles eram, sem nenhuma falha de qualquer tipo, mesmo nos riffs de metais mais exigentes.
Nosso plano ambicioso, ou ate mesmo um pouco louco - era tentar conseguir que a mixagem final de“All you need is love” fosse enviada para a fábrica naquela mesma noite para que o disco pudesse estar nas lojas antes do fim de semana, mas nós sabíamos que demoraria um pouco para que todos os músicos, convidados e técnicos arrumassem as coisas e fossem em­bora, de modo que o resto da sessão foi agendado para o StudioTwo. Enquanto a mudança estava sendo feita, Richard e eu tivemos permissão de George Martin para ir até lá fora para um rápido drinque de comemoração no Abbey Tavern, ali perto. Eu estava encharcado de suor, tanto pela tensão nervosa quanto pelo calor da noite, e, enquanto caminhávamos os poucos quarteirões ate o pub eu ficava repetindo para mim: “Meu Deus, como estou feliz que isso acabou! Quero uma bebida!”. Richard e eu estávamos tremendo, rindo e emocionados, enquanto brindávamos um ao outro no pub barulhento, mas tínhamos prometido a George que não demoraríamos, e que nós nos limita­ríamos a uma única dose de bebida... com meio litro de chaser. Ainda assim, aproveitamos esse momento extra e, quando voltamos, qua­se às 23h, a sessão de mixagem estava prestes a começar. George tinha cha­mado Martin Benge, o engenheiro de manutenção de plantão, para deixar prontos os gravadores. Desde a primeira reprodução, os quatro Beatles fica­ram impressionados com o que estavam ouvindo. Harrison se encolheu um pouco durante seu solo tle guitarra, mas Richard tomou a iniciativa e lhe deu segurança,dizendo:44Vai ficar bom, nós colocaremos um pouco de wobble nele e ficará ótimo”. No final, tudo o que tínhamos a fazer era adicionar o efeito e abaixar a última nota ruim. O baixo de Paul estava ótimo - não havia necessidade de corrigir nada e o vocal de John precisava que apenas duas frases tossem regravadas no segundo verso, onde, como se esperava, ele havia errado a letra. A única coisa que faltava era refazer o repinicar da caixa que Ringo havia tocado na introdução da canção. Havia sido uma decisão de ultima hora que ele fizesse daquela forma, ao vivo, durante.a transmissão, e George Martin sentiu que poderia ser melhorado um pouco! Hoje em dia, quando as gravações de shows ao vivo são frequentemente alteradas no estúdio posteriormente, a um ponto em que dificilmente algo da verdadeira apresentação permanece, pode parecer inacreditável, mas é verdade: as únicas coisas que foram substituídas em “All you need is love” para o lançamento do disco foram o repinique da caixa no início e duas frases do vocal principal.
Os overdubs não demoraram tanto tempo para serem feitos, mas todos nós estávamos exaustos com os acontecimentos do dia, então George Martin tomou a decisão de adiar a mixagem por 24 horas para que pudéssemos vol­tar novos em folha. Rejuvenescidos e revigorados por uma boa noite de sono, conseguimos completar a mixagem rapidamente, e a fita foi então transferida para o vinil por Ken Scott, que estava sendo treinado como engenheiro de masterização. O single ainda conseguiu sair até o final da semana, só que che­gou às prateleiras em uma sexta-feira, em vez de quinta-feira, o que pareceu não prejudicar as vendas. “All you need is love” foi direto para o número um e permaneceu no topo das paradas por várias semanas. Depois de toda a pressão — e do triunfo definitivo - da transmissão, os Beatles decidiram reservar a maior parte de julho e agosto para tirar ferias, fazendo apenas um punhado de gravações em estúdios externos. Certa vez, Paul me ligou e me pediu para acompanhá-lo em uma sessão que ele estava produzindo para o seu irmão, Mike, no pequeno estúdio no porão de Dick James, no West End de Londres. Paul apareceu vestido com o uniforme que ele usou na capa do álbum Sgt. Pepper, com seu trompete pendurado no ombro. Se ele estava querendo atenção, no entanto, ele não a conseguiu: era um domingo e a rua estava completamente deserta. Na verdade, nós tivemos alguma dificuldade para conseguir entrar. Isso marcou a primeira vez que Paul e eu trabalhamos fora da Abbey Road.., e era algo que eu não poderia fazer. Mas tudo foi muito informal — a garrafa de uísque apareceu em certo ponto e nós nos divertimos; eu até mesmo toquei piano em uma das faixas. Mais tarde, naquela noite, Paul nos deu carona para casa em seu Aston Mar­tin. Foi uma emoção muito grande percorrer as ruas desertas de Londres com tanto luxo.

OS BEATLES NA ITÁLIA - MAMMA MIA!

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A turnê dos Beatles pela Europa em 1965 começou em 20 de junho por Paris e já dava sinais de que algo estava começando a não dar mais tão certo como antes no reino da Beatlelândia. Desembarcaram no aeroporto de Orly, e foram diretamente para o George V Hotel. A recepção dos fãs foi muito tranquila se comparada aos pa-drões dos Beatles, pois apenas 50 pessoas os aguardavam na frente do hotel. Apenas doze mil assistiram às duas apresentações no Palais des Sports, que também contou com a presença dos Yardbirds. O segundo show foi transmitido na rádio e na TV francesas. O repertório dos Beatles durante a tumê na Europa incluía: “Twist And Shout”, “She’s A Woman”, “I’m A Loser”, “Can’t Buy Me Love”, “Ba-by’s In Black”, “I Wanna Be Your Man”, “A Hard Day’s Night”, “Everybody’s Trying To Be My Baby”, “Rock And Roll Music”, “I Feel Fine”, “Ticket To Ride” e “Long Tall Sally”. Em 22 de junho, os Beatles e sua entourage pegam um voo para Lyons, onde a banda faz dois shows no Palais d’Hiver. No outro dia, partem de trem para Milão.No dia 24, os Beatles fazem seu primeiro show na Itália no Velodromo Vigorelli, em Milão, um anfiteatro a céu aberto com capacidade para 22 mil pessoas. Brian Epstein ficou decepcionado ao ver tantos lugares vazios, principalmente no show da tarde, que foi assistido por apenas 7 mil pessoas.

A imprensa culpou os altos preços dos ingressos e a forte onda de calor que assolava a cidade pelo baixo número de espectadores. No dia 25, uma equipe de corridas da Alfa Romeo leva o grupo para Gênova em quatro carros. A banda se apresenta no Pallazo dello Sport, um an-fiteatro com capacidade para 25 mil pessoas. Novamente havia vários lugares vazios na plateia, sendo que o show da tarde atraiu um público de apenas 5 mil fãs. Então vão para Roma. Os Beatles fazem duas apresentações no Teatro Adriano. Em uma delas, enquanto tocavam “I Wanna Be Your Man”, com Ringo no vocal, Paul, sem motivo aparente, teve um acesso de riso e precisou sair do palco. George não gostou nada da brincadeira e sua irritação ficou patente. Quando Paul voltou ao palco, o microfone caiu no chão e ele co¬meçou a rir novamente. John entrou na onda, o que deixou George ainda mais furioso. No final dos shows, Paul agradeceu à plateia em italiano. Fonte: "O Diário dos Beatles" de Barry Miles.

sábado, 24 de junho de 2017

THE BEATLES - LADY MADONNA

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"Lady Madonna" é uma canção dos Beatles escrita por Paul McCartney e creditada a dupla Lennon - McCartney. Ficou pronta em março de 1968 como single, tendo "The Inner Light" como Lado B. Foi gravada em Abbey Road em sessões nos dias 3 e 6 de fevereiro de 1968, antes dos Beatles partirem para a Índia. Foi a última produzida com o selo Parlophone no Reino Unido, onde chegou ao primeiro lugar. Pela Capitol Records nos EUA, ela chegou ao quarto lugar. Todas as gravações posteriores, começando com Hey Jude em agosto de 1968, já foram produzidas com o selo Apple Records e distribuídos pela EMI.
"Lady Madonna" foi o primeiro single a mostrar que o caminho para os Beatles a partir dali era o retorno ao som básico dos primeiros tempos do grupo. Depois de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e Magical Mystery Tour, presumia-se que o avanço musical significaria mais complexidade, mas, mais uma vez, os Beatles contrariaram as expectativas. O riff principal foi tirado do piano de Johnny Parker na faixa instrumental "Bad Penny Blues", do trompetista de jazz Humphrey Lyttelton e banda, produzida por George Martin, que, em 1956, foi sucesso na Inglaterra. "Perguntamos a George como eles fizeram o som de 'Bad Penny Blues' e George nos contou que eles usaram escovinhas. Eu fiz o mesmo, e a faixa era só com escovinhas e piano; depois decidimos que precisávamos de um ritmo meio de jazz, então colocamos um", diz Ringo. Lyttelton não se importou nem um pouco, uma vez que Parker tinha tirado o riff de Dan Burley, que afirmou: "Não dá para cobrar direitos por uma harmonia, e isso foi tudo o que eles pegaram emprestado. Eu fiquei muito lisonjeado.
Apesar de nenhum dos Beatles gostar de jazz tradicional, todos conheciam e gostavam de 'Bad Penny Blues' porque tinha um quê de blues e de skiffle, em vez de ser um jazz tradicional". (Dan Burley and His Skiffle Boys, formado em 1946, era a origem da descrição de skiffle music, aplicada pela primeira vez ao estilo folk-blues-country de Lonnie Donegan na Inglaterra no começo dos anos 1950).

Paul queria que a música fosse uma celebração à maternidade e começava com uma imagem da Virgem Maria, mas depois passou a levar todas as mães em consideração. "Como elas fazem?", ele perguntou em uma entrevista à Musician em 1986. "Um bebé no peito — como elas arrumam tempo de alimentá-lo? Onde arrumam dinheiro? Como vocês fazem isso que as mulheres fazem?

O cantor Richie Havens se lembra de estar com Paul em um clube em Greenwich Village quando uma garota se aproximou e perguntou se "Lady Madonna" tinha sido escrita sobre os EUA. Paul respondeu: "Não. Eu estava lendo uma revista africana e vi uma africana com um bebé. Embaixo da foto estava escrito 'Mountain Madonna'. Mas eu disse: não, Lady Madonna, e escrevi a música".
"Lady Madonna" foi o último compacto dos Beatles lançado pelo selo Parlophone, em 1968, ano em que o sonho da criação da Apple se tornou realidade. Composta e cantada por Paul, a música o traz ao piano no verdadeiro estilo rock'n'roll, revelando influências de Little Richard e Jerry Lee Lewis. "Lady Madonna" pode ser considerada uma versão em rock de "Eleanor Rigby", dada a solidão como tema central. A faixa foi gravada em cinco tomadas no dia 3 de fevereiro de 1968 e finalizada com os saxofones de Ronnie Scott, Harry Klein, Bill Povey e Bill Jackman três dias depois. Segundo alguns relatos, o trecho com os saxofones no meio da gravação era de 15 a 20 segundos mais longo e foi editado. Os vocais de fundo, com sonoridade interessante, teriam sido cantados pelos quatro Beatles com as mãos em concha em volta da boca. Lançada como single em março de 1968, "Lady Madonna" chegou ao número 1 na Inglaterra, mas ficou no 4º lugar nos EUA.
"Lady Madonna" aparece nos álbuns Hey Jude (1970); 1967–1970 (1973); 20 Greatest Hits (1982); Past Masters, Volume Two (1988); Anthology 2 (1996); 1(2000) e Love (2006). E já foi gravada por gente como: Fats Domino, Gary Puckett and the Union Gap, Phoenix, Paul Mauriat, Cal Tjader, Richie Havens, Elvis Presley, Caetano Veloso, Buck Owens, Øystein Sunde, Aretha Franklin, Rajaton e Assembly of Dust, entre outros.

JOHN LENNON - UM ATRAPALHO NO TRABALHO - 2017

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No dia 23 de março de 1964, o primeiro livro de John Lennon “In His Own Write” foi publicado. Em junho de 1965, foi a vez do segundo: "A Spaniard In the Works". E em fevereiro de 1985 foi relançado o livro "Um Atrapalho no Trabalho" - uma compilação dos dois livros de Lennon, traduzidos e adaptados brilhantemente pelo poeta Paulo Leminski - Hoje em dia, raríssimo. Ítem de colecionador. Essa matéria que a gente confere agora foi publicada no Jornal do Brasil em 22 de fevereiro de 1985. O texto fala algumas abobrinhas... mas a gente perdoa pela nostalgia. Direto... do fundo do Baú!

Logo no inicio dos Beatles, quando John Lennon virou para uma plateia chique e pediu que não aplaudisse – “basta balançar as jóias” – desconfiou-se que ele era um intelectual. Não exibia muito isso. Deixava os óculos em casa – as meninas de Liverpool também não olhavam para gente assim – e apertava os olhos para alcançar os rostos da primeira fila. Nas músicas também não complicava. Falava de garotas e garotos de mãos dadas. No problems. Mas isso foi no inicio.
O livro Um atrapalho no trabalho, que está sendo lançado esta semana pela Brasiliense, reúne as duas obras de Lennon no setor : In His Own Write e A Spaniard In the Works. O primeiro é de 1964,o segundo,de 1965. Dois anos fundamentais na vida do moço,No primeiro ele começou a fumar maconha,no outro,entregou-se ao LSD. A mente de Lennon ampliou-se tanto que as palavras comuns já não lhe serviam.Começou a embaralhá-las em trocadilhos,a fazer imagens inalcançáveis aos caretas.O resultado está nesse Atrapalho no Trabalho: Letrinhas ao léu numa viagem de ácido.
Lennon junta palavras, sons, associa imagens, e o resultado pode ser algo como “Paspelham passaligeiros e passeuntes ambos e ambos". Ou : “Eram uma vilinha e borboatos indescensos se esparramilhavam entre os desabitantos que moravam lá". No Brasil, Lennon contou com a parceria do tradutor, poeta e folósofo Paulo Leminski. Ele entrou no barato nonsense do autor e entremeou o texto com aparições de Joãozinho Trinta, Vanderléa e outros. Fez bem, o mestre aprovaria. Com toda aquela fumaça nos miolos, o mundo reverente aos seus pés e cansado de escrever "Love me Do" com McCartney, Lennon ensinou a soltar o verbo – tivesse ele o sentido que tivesse. São histórias amargas, de humor negro e morbidez. Lennon começava a acertar publicamente as contas com seu passado de menino abandonado pela mãe e pelo pai, obrigado a viver com Tia Mimi. Depois viria o grito primal, canções depressivas como "Yer blues" ,os escândalos de Yoko Ono e aquela maneira de encarapitar os óculos no nariz e contemplar a humanidade com o escárnio de uma coruja. A festa do Randolfo no livro, mostra bem esse clima estranho.Todos os amigos aparecem para comemorar o aniversário do Randolfo, mas nada de presentes. Preferem assassinalos aos gritos de “pelo menos ele não morreu sozinho”!
Um Atrapalho no Trabalho é ilustrado por desenhos do próprio Lennon, que antes de chegar aos Fabs Four esteve em uma escola de artes em Liverpool. Tinha jeito para a coisa. São cartuns de traço original, despojado, reveleando uma galeria de aleijões, tipos com muitos ou nenhum braço, cegos, solitários, sempre um jeito maligno no canto da boca. Coisa de talento, mas de astral lá embaixo. Mais tarde, já no corpo a corpo com Yoko nas manifestações pela paz, Lennon faria desenhos de seus embates sexuais com a japonesa. Tudo Explicitíssimo. Depois parou. Dizem que Yoko invejava os pendores do marido também para as artes plásticas, coisa que ela, apesar do esforço, não tinha. Nem a Rolling Stone confirma a história. Mas o certo é que Lennon desistiu dos lápis. E ocupava as mãos fazendo pão no Dakota. No lançamento dos livros na Inglaterra, os críticos compararam o Beatle intelectual aos experimentos literários de James Joyce, Lewis Carrol, gente desse nível. “Tem solecismos e imaginética só encontráveis em Edward Lear, com possibilidades líricas jamais exploradas”, disse alguém. São pequenas histórias, contos, poesias, bilhetes, como se quiser chamar, tudo vazado na mais tumultuada das linguagens. Se Guimarães Rosa apertasse um teria ficado assim.
Vinte anos depois, os trocadilhos de Um Atrapalho no Trabalho aparecem com a mesma curiosidade excêntrica que tinha o Rolls Royce psicodélico que Lennon pintou e encheu de vidros escuros para passear ingógnito pelas ruas de Londres. Uma curtição da loucura pop dos anos 60. Foram os únicos livros de Lennon e ninguém exatamente sabe por quê. Diga-se também que jamais lhe foi perguntado o motivo, pois poderia ser compreendido como uma cobrança de novas obras. Não seria o caso. O livrinho soa como certas canções que Lennon escreveu quando os Beatles ficaram cultos, idolatrados como novos Beethovens e tudo lhes era permitido. Um pouco antes de morrer, em 1980, Lennon criticou-as: - “I’m The Walrus”, por exemplo – disse – tinha um jeito pretencioso de que queria dizer muita coisa. Mas nada. Era só enrolação!Quem estiver interessado em acompanhar os alienantes passeios pelos buracos de queijo que, em 1965 e 1966, a droga desenhava na cabeça de Lennon, deve ouvir o LP Beatle daquele ano, Rubber Soul. A faixa “Nowhere Man” é sobre um personagem idiota que poderia estar numa desatas histórias de Um Atrapalho no Trabalho. Só que ele é filtrado pela música genial de Lennon. Ainda bem que ele insistiu na guitarra e guardou a máquina de escrever.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

THE BEATLES - A HARD DAY'S NIGHT - PARIS - 1965

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Clique na imagem abaixo e confira também a sensacional aventura dos Beatles na França 1 ano antes, em 1964.