domingo, 24 de janeiro de 2016

SIMPLESMENTE DUSTY... DUSTY SPRINGFIELD

Quando a postagem “YOU DON'T HAVE TO SAY YOU LOVE ME” foi ao ar em 12 de junho de 2015, a amiga Elisa Fogaça disse: “Dusty merecia uma postagem só dela!”. Pois pronto, Elisa, amigos e amigas... com vocês, a fantástica DUSTY SPRINGFIELD!
 Dusty Springfield nasceu Mary Isobel Catherine Bernadette O'Brien em West Hampstead, norte de Londres, Inglaterra, em 16 de abril de 1939. Filha de Gerard Anthony O'Brien e Catherine Anne O'Brien. Seu irmão mais velho, Dionísio seria mais tarde conhecido como Tom Springfield. Até o início da década de 1950 frequentou boas escolas e um convento tradicional só para meninas, claro. A confortável educação de classe média foi perturbada por tendências disfuncionais na família; perfeccionismo do pai e frustrações da mãe. Mary Isobel ganhou o apelido de "Dusty" por jogar futebol com os meninos na rua, e era descrita como um “tomboy” (menina-moleque). 
Depois de abandonar a escola, Dusty cantou com o irmão Tom em vários clubes populares locais. Em 1958, respondeu a um anúncio para se juntar às “Lana Sisters”. Como membra do trio vocal pop, Dusty desenvolveu habilidades em harmonização e técnicas de microfone e gravações realizadas na TV sempre com sua desenvoltura e talento. O que era dela, estava guardado.
http://www.musicrewind.com/images/products/
Em 1960, deixou as Lana Sisters e formou o trio pop-folk “The Springfields”, com seu irmão Tom e Reshad Feild, logo substituído por Mike Hurst em 1962. O trio escolheu o nome enquanto ensaiavam em um campo em Somerset quando passaram a usar os nomes artísticos de Dusty, Tom e Tim Springfield. Com a intenção de fazer um álbum que soasse tipicamente como os americanos, o grupo viajou para Nashville, Tennessee, para gravar canções folclóricas. A música local que Dusty conheceu durante esta visita, em particular, "Tell Him", ajudou a transformar seu estilo de folk e country para uma musica mais pop enraizada em rhythm and blues. “The Springfields” foi eleito como "Melhor Grupo Vocal Britânico " pelo New Musical Express em 1961 e 1962. Durante o início de 1963, The Springfields gravaram seu último hit, "Say I Won't Be There". O grupo também apareceu na popular série de TV de música da ITV Associated Rediffusion “Ready Steady Go!”. Dusty deixou a banda após o show final em outubro de 1963. Depois que os Springfields foram pro espaço, Tom continuou compondo e produzindo para outros artistas, incluindo o grupo australiano folk-pop “The Seekers”.
https://resources.wimpmusic.com/images/060a2cc8/af60/408e/918e/9bf4b3900758/
1963 realmente foi um dos anos mais frutíferos para a música e a cultura pop com os surgimentos dos Beatles, os Rolling Stones e inúmeros lançamentos que não caberiam aqui. Foi também o ano de estreia de Dusty Springfield em sua carreira solo com o sucesso "I Only Want to Be With You", inspirada no estilo "Wall of Sound" de Phil Spector. Entre seus outros singles, destacaram-se "Wishin' and Hopin'", "I Just Don't Know What to Do with Myself" (1964), a belíssima "You Don't Have to Say You Love Me" (1966 – coverizada por Elvis) e "Son of a Preacher Man" (1969).https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/97/d8/f4/
Durante toda a época que reinou, Dusty bateu de longe cantoras como Cilla Black, Nancy Sinatra e outras quais. Foi uma das grandes incentivadoras para tornar os artistas da soul music americana mais conhecidos no Reino Unido, desenvolvendo e apresentando em 1965 o programa "The Sound of Motown", uma edição especial da série de TV "Ready Steady Go" onde trazia os melhores artistas da Motown Records.
Entre as cantoras da ‘Invasão Britânica’, Dusty foi a que obteve mais impacto no mercado norte-americano. De 1963 a 1970, emplacou 18 singles no "Hot 100" da Billboard, além de ter sido votada como "Melhor Cantora Britânica" pelos leitores da New Musical Express em 19641965 e 1968. Mas sua carreira começou a despencar com o surgimento do psicodelismo, que ela não acompanhou.
http://cps-static.rovicorp.com/3/JPG_400/MI0001/345/
Em 68, na esperança de revigorar sua carreira e aumentar sua credibilidade, Dusty Springfield virou-se para as raízes da soul music. Assinou com a Atlantic Records, gravadora de um de seus ídolos da música soul, Aretha Franklin. Embora Dusty tenha interpretado canções de R&B  antes, nunca tinha lançado um álbum inteiro só de músicas desse estilo. E assim, Dusty partiu para gravar um álbum em Memphis, Tennessee, onde as sessões no American Sound Studios foram registradas pelo o que havia de melhor na equipe da Atlantic Records: os melhores produtores, os melhores cantores de backing vocals e os melhores músicos instrumentistas: “The Memphis Cats”, que já tinham tocado com gente como Wilson Pickett, King Curtis e Elvis Presley, e, principalmente, pelos melhores compositores como  Gerry Goffin & Carole King, Randy Newman, Barry Mann & Cynthia Weil.https://kriofskemix.files.wordpress.com/2014/06/
“Dusty In Memphis” foi lançado pela Atlantic Records em 31 de março de 1969 nos Estados Unidos e 18 de abril no Reino Unido e foi um tremendo fracasso comercial em ambos os países, apenas alcançando o número 99 nas paradas de álbuns da América e não chegando no Top 40 da parada britânica. Apesar da falta de vendas, “Dusty In Memphis” foi aclamadíssimo pela crítica e tem sido frequentemente apontado como um dos maiores álbuns de todos os tempos de acordo com o NME que o nomeou em número 54 em sua lista de 1993. E em 2003 a Rolling Stone o classificou em número 89 em sua lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos. Não é para qualquer um.
Durante todo esse tempo, sua sexualidade sempre foi discutida por todos. A partir de meados de 1966 até início de 1970, vivia em uma “parceria doméstica” com a cantora Norma Tanega. Em setembro de 1970, Dusty assumiu sua homossexualidade. Então envolveu-se em vários relacionamentos amorosos com mulheres no Canadá e os EUA que não foram mantidos em segredo da comunidade gay e lésbica. A partir daí até o início de 1980, o alcoolismo e dependência de drogas (principalmente a cocaina) afetaram e muito sua carreira musical. Foi hospitalizada várias vezes por auto-mutilação e foi diagnosticada com transtorno bipolar entre tantas outras várias doenças. Em 1982 Dusty conheceu a atriz americanaTeda Bracci, numa reunião dos alcoólatras anônimos e em abril de 1983, trocaram votos em uma cerimônia de casamento que não era legalmente reconhecido pela lei da Califórnia. O casal teve um relacionamento "tempestuoso" que levou a uma briga com ambas, Springfield e Bracci hospitalizadas. Dusty teve que se submeter à várias cirurgias plásticas para voltar a ter um rosto. Ainda na década de 1980, sua carreira foi ressuscitada pelos “Pet Shop Boys” com a gravação de "What Have I Done to Deserve This?". 
http://www.dustyspringfield.org.uk/LTD/images/introimage/
Em janeiro de 1994 durante a gravação do penúltimo álbum, em Nashville, Dusty Springfield passou mal. Quando voltou para o Reino Unido, alguns meses depois, os médicos a diagnosticaram com câncer de mama. Foram meses de tratamento de radiação, até que melhorou. Em 1995, com aparente (?) boa saúde, Springfield começou a promover o álbum, que foi lançado naquele ano. Em meados de 1996, o câncer havia retornado com força total. E apesar de todos os tratamentos vigorosos, ela morreu em Henley-on-Thames, no dia 2 de março de 1999. A sua indução no “Rock and Roll of Fame” ocorreu duas semanas depois de sua morte. Emocinado, Elton John empostou a voz, para a empossá-la no Hall of Fame, declarando: "Ela foi a maior cantora branca de todos os tempos... Cada canção que ela cantou, ela era simplesmente Dusty."
O funeral de Dusty foi assistido por centenas de fãs e pessoas da indústria da música, como Elvis Costello, Lulu, e Pet Shop Boys. Um funeral católico, que teve lugar em Oxfordshire, na antiga igreja paroquial de Santa Maria da Virgem, em Henley-on-Thames, onde Springfield viveu durante seus últimos anos. Dusty foi cremada e algumas de suas cinzas foram enterradas em Henley, enquanto as que restaram foram espalhadas pelo seu irmão, Tom Springfield, nos penhascos de Moher, County Clare, Irlanda.
E até hoje, o charme de sua voz continua presente como, quando, há dois anos, um episódio da cultuada série “Mad Men” foi ao ar, encerrando com a original “You Don’t Have To Say You Love Me”, com Dusty, claro. Na manhã seguinte, nas paradas de downloads na Internet como o iTunes, essa música bateu recordes de downloads. Era a rainha triste do Soul que tinha voltado, pelo menos mais uma vez, com toda sua majestade. Valeu Dusty. Abração!

4 comentários:

Edu disse...

Muito legal. Postagem épica... fazia tempos não havia uma aqui, mas valeu à pena. Ela merecia! Ela era linda... mas esses cabelos...
Muitos "biógrafos" afirmam que ela usava essas perucas, porque não podia aparecer com seu cabelo de "joãozinho" na TV. Para mim, nada disso importa. Gostei demais de conhecer a vida dela!

Elisa Fogaça disse...

É por essas e outras que eu adoro esse Baú!

João Carlos disse...

Não vou dizer que a conhecia mas ouvia muito falar. O excelente post me motivou.

Valdir Junior disse...

Sempre ouvi falar, mas nunca fui atrás. Agora graças ao "Baú" conheci melhor. Valeu Edu!!