quarta-feira, 10 de abril de 2013

A SEPARAÇÃO DOS BEATLES - PETER DOGGET


Mais de quarenta anos depois do fim da banda mais famosa da história da música, os fãs dos Beatles continuam tentando entender quais motivos levaram o quarteto britânico a se separar, tão precocemente, e no auge da fama, em 1970. Uma obra recém-lançada nos Estados Unidos e sem previsão de chegada ao Brasil, “You Never Give me your Money: The Beatles after the Breakup” (Você nunca me dá seu dinheiro: os Beatles após o rompimento, na tradução literal), ajuda a engrossar o caldo de suposições. Nela, o autor, Peter Doggett, exime de culpa a vilã preferencial Yoko Ono, companheira de John Lennon, que o teria afastado dos parceiros, e atribui a cisão a um erro de gestão. Ou melhor, ao pior erro de gestão da história da indústria do entretenimento, segundo ele. Que, para desespero dos beatlemaníacos que sonham com as canções que poderiam ter sido feitas, tinha chance de ser evitado.

Para justificar sua tese, o americano Doggett, jornalista especializado em música e também autor de “The Art and Music of John Lennon” (sobre a criação dos Beatles), lança luzes sobre as duas grandes teorias acerca da tensão que se criou entre John Lennon e Paul McCartney e o fim dos Beatles. A primeira, e consagrada, coloca a presença ostensiva de Yoko Ono entre eles como responsável pelos conflitos. E a segunda culpa a ganância do advogado americano Allen Klein, que representava os Rolling Stones e substituiu o empresário de confiança do grupo Brian Epstein, morto em 1967.
Na opinião de Doggett, tanto Yoko quanto Linda Eastman, a então namorada e futura esposa de Paul, eram mulheres fortes, que apenas queriam ficar perto dos homens que amavam. O advogado Klein não tem uma avaliação tão simpática. É considerado um canalha e responsável por batalhas épicas entre os integrantes da banda. O americano que substituiu Epstein articulou uma aliança de John, Ringo Starr e George Harrison contra Paul, porque ele preferia que o pai de sua noiva, o empresário Lee Eastman, cuidasse dos negócios do grupo. A partir daí, criou-se uma grande distância entre Paul e o resto do grupo. Para Doggett, as brigas sem motivo entre aqueles garotos de vinte e poucos anos poderiam ter sido controladas com a presença de uma pessoa sensata que conseguisse mostrar o óbvio: que a banda era muito maior do que os talentos individuais de seus integrantes. Segundo o autor, as pessoas mais maduras que auxiliavam o quarteto tiveram pouca utilidade, como o produtor George Martin, “amável demais”, e o responsável pela gravadora deles, a Apple, Neil Aspinall, que apenas se ocupava dos negócios e permaneceu alheio à batalha de egos que tomou conta do grupo. Em sua opinião, ninguém envolvido na gestão da banda foi inteligente o suficiente ou teve coragem o bastante para forçar dois jovens imaturos (leia-se Paul e John), dos quais todo aquele império musical dependia, a procurar terapia. O livro começa com o assassinato de John em Nova York, em 1980, e logo depois se volta para o final dos anos 60, quando “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, o oitavo álbum, considerado por muitos o melhor de todos, foi lançado, em 1967. O autor conta que Paul e John usavam até músicas para se provocar – caso da canção que dá título ao livro, “You Never Give me your Money”, de Paul McCartney, do álbum “Abbey Road”. Doggett critica tanto as atitudes arrogantes de Paul, que queria ser o líder da banda, quanto a mesquinhez de John, que se opunha a qualquer tentativa de reconciliação. “É surpreendente que ele seja lembrado como um mártir amante da paz”, afirma. O autor especula, ainda, que pode ter sido justamente a abundância de dinheiro que fez com que os quatro não se esforçassem para se manter juntos. Antes da morte de John, eles recebiam seguidas propostas para retomar o grupo em troca de US$ 30 milhões. Mas o dinheiro foi um instrumento fraco de convencimento. Como se sabe, a tão esperada reconciliação nunca houve. Mas, no imaginário dos beatlemaníacos, a banda permanece unida, assim como no rádio, na televisão, na internet, em filmes e videogames. Para os fãs daquela época, de hoje e provavelmente das próximas gerações, John, Paul, Ringo e George nunca se separaram.
Para quem quiser conferir um trecho do livro de Peter Doggett, o link é:

3 comentários:

Valdir Junior disse...

Um dos melhores livros que já li sobre os Beatles !!!
Qualquer um que goste dos Beatles ou de musica tem que ler ele de qualquer jeito !!!
Uma coisa que para mim ficou ainda mais claro deles de ler o livro , foi o quanto eles foram ingênuos , bem bobos ( John , George e Ringo ) e que o Paul foi verdadeiramente o mais esperto ( no bom sentido ) e bem sucedido de todos !!

João Carlos disse...

Bem interessante o argumento do autor.Faltou alguém que chamasse todos eles (não só Paul e John)à real.De qualquer modo,acho que com Yoko em seu ouvido e o medo de uma possível decadência da banda,John queria terminar embora tenha sofrido bastante com isso.E o sucesso solo dos demais o incomodava.Dá prá notar.Ele esculachou George quando este surpreendeu com ALL THINGS...

Luis da Silva disse...

Paul sempre foi um cara a frente do seu tempo,acho que ele sempre se sairia bem mesmo sozinho,mais nao é facil separar Paul dos outros, dada a comunhao destes que se foi com o tempo perdido com a morte de Epstein,e entao entra o galhorda do Allen Klein colocando os outros contra Paul, mais tambem tinha os egos inflados de cada um,Paul que era bom em tudo que fazia,Jonh que tambem se considerava um genio,nao que nao fosse é claro,George que despontava como um ótimo compositor,e Ringo que era tido como o menos talentoso mais que é lógico era um Beatle,portanto acho que seria inevitavel a separação cedo ou tarde,mais pra nós a sua contribuição e todo o legado é o nosso tezouro.